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ARTIGO
Sábado, 19 de Setembro de 2009, 16h:40

MÁRIO M. DE ALMEIDA

Mídia e marketing

Quem acompanha com olhar mais crítico e profissional a propaganda do Governo Blairo Maggi, na mídia eletrônica (TVs, rádios e sites) ou impressa, caso dos jornais e revistas, além de outdoors, já deve ter se deparado que houve uma mudança radical. Ficou mais ágil e de compreensão facilitada. Diríamos, sem exagero na avaliação, que ocorreu um corte profundo entre o que era produzido e veiculado pela gestão anterior da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e o que está sendo divulgado agora. Sob o comando político do tenente-coronel Eumar Novacki e a execução técnica de uma equipe de publicitários e jornalistas do porte de Júlio Valmórbida e Onofre Ribeiro. Dois expoentes em suas respectivas áreas: o primeiro na propaganda e marketing e Onofre, veterano no jornalismo. Tanto no batente das redações como em assessorias. Quanto a competência de ambos, creio não haver dúvida, sobretudo no meio em que atuam profissionalmente há muitos anos. Não são, obviamente, nenhuma unanimidade, mas se destacam bem no ofício e suas manhas. No tocante a isso, tenho certeza, não estou deste espaço engrossando o “pirão” dos dois – apenas constatando o fato. Até porque, nesta quadra da vida, sinto-me em condições de reconhecer os méritos de quem julgo tê-los ou, ao contrário, criticar quem acho que devo. Não sou e nem pretendo ser palmatória do mundo, porém considero-me apto, pela experiência dos anos e pelos vários cargos que já ocupei no setor de comunicação social, a ter opinião sobre a matéria e dar meus palpites, livremente e com a consciência tranquila. Por isso digo: quem apostava – alguns torciam mesmo – que Novacki, por ter uma formação lastreada na caserna, sua disciplina, hierarquia e ritos, iria “militarizar” a comunicação social, perdeu. O militar vestiu a roupagem civil e demonstrou descortínio para formar o seu time, o que é uma qualidade que, infelizmente, nem todos os políticos de carreira possuem: a capacidade para compor seus staffs, especialmente naquelas áreas mais técnicas e complexas. Quando não raro costumam trocar as mãos pelos pés, e vice-versa. Em suma, com Novacki à frente, a Secom não foi “engessada” e ficou mais leve, porque mais voltada para suas atribuições na área de produção de notícias e distribuição da publicidade, e menos atolada em tarefas administrativas e que não são da essência e razão de ser do órgão. Um exemplo da nova cara das peças publicitárias na fase Novacki é que a enxurrada de números que aparecia anteriormente em toda a propaganda governamental diminuiu de intensidade. Abusar dos números em propaganda, ao invés de transmitir clareza e informação, pode representar que a barra esteja sendo forçada. Números em doses exageradas levam a inúmeros (desculpem a redundância) questionamentos e podem significar anti-propaganda e marketing negativo para quem queira vender o seu “peixe”... Requer-se mais sutileza e menos agressividade nesse tipo de abordagem. Quando, por exemplo, se insiste em dizer que o governo fez trinta, quarenta, cinquenta mil casas, e se continua batendo demais nessa tecla, como acontecia insistentemente em Mato Grosso, abre-se espaço para a oposição (aliás, no seu papel) questionar esses dados e, por outro lado, aquele cidadão (ou cidadã) que está sem teto, começar a se perguntar: aonde estão todas essas casas que eu não vejo... Ai mora o perigo! Natural isso, pois nenhum governo constrói tantas casas em um só local, e, justiça seja feita, nesse quesito o governo Blairo Maggi fez o que os dois últimos governos antes dele não fizeram: investiu, e muito, em habitação e rodovias. Pode até ter pecado (e pecou) em outros setores. Entre os quais, o de que vinha se comunicando de forma primária e equivocada. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única www.paginaunica.com.br

Edição EDIÇÃO 16967




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