Dados Ministério do Trabalho (Estatísticas de Vínculos Empregatícios) apontam que dos 646.466 recolhimentos feitos em 2011, 438.620 foram para trabalhadores com 1 mês a 2 anos de tempo de serviço. Pesquisa aponta, ainda, que as melhores médias salariais são para as pessoas com maior tempo de serviço. A partir dessas informações efetuaram-se algumas indagações: Por que a rotatividade é tão grande no mercado de trabalho de MT? Se há falha, ela se encontra no capital ou no trabalho? Qual a consequência para a economia do Estado? Em busca de breves sugestões, menciona-se que rotatividade de trabalho tem a ver com ambiente e condições de trabalho, remuneração, proteção social, intervenção governamental, formalização e informalização do trabalho, além da organização sindical. Elevados graus de rotatividade de emprego em determinada economia significam a ausência dos fatores acima mencionados ou o seu excesso. Importante, também, é saber quais setores estão imbricados nessa situação, mesmo porque, nos últimos 10 anos a taxa de desemprego (2002 a 2012) no Brasil saiu de 14% para algo em torno de 6% (sites: Ministério do Trabalho, Planejamento, Desenvolvimento Social, vários anos). Mato Grosso, apesar de não fazer parte de estatísticas sobre taxa de desemprego, pois, esta pesquisa é efetuada pelo IBGE nas cidades metropolitanas, todavia, pelo censo de 2010, a população do estado era de 2,8mi. de habitantes, com uma população economicamente ativa de 52% desse montante, auferindo um rendimento médio/mensal de 609,90 reais. Isso, explica, em parte, o porque do elevado índice de rotatividade no mercado de trabalho mato-grossense, onde, apesar da relativa proteção e distribuição sociais (férias, final de semana remunerado, 13 salário, seguro-desemprego, etc.), a qualidade do trabalho caracteriza-se mais pela desqualificação, informalização e precarização. Em vista disso, a propalada geração de emprego dos dias de hoje confunde-se com a formalização do mesmo e as metodologias de cálculo de desemprego pelo IBGE que consideram todo e qualquer ocupação do trabalhador economicamente ativo, pouco contribuem pela busca do Pleno Emprego Qualitativo. Portanto, o momento é adequado para reflexões patronais, que arcam com os custos da rotatividade, junto a trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, que suportam uma rendia média pouco animadora, por isso, muitas vezes, a esperança em efetuar, em poucos anos, fundos trabalhistas no trabalho formal e partir para atividades autônomas, frequentemente informais, ou viver do seguro-desemprego, o que requer uma reflexão, também, profunda sobre a interferência governamental no mercado de trabalho, que termina por transferir elevados ônus tributários a economia estadual, asfixiando o consumo e novos investimentos em atividades produtivas, geradores de emprego, renda e autonomia do consumidor. Não menos importante, é oportuno mencionar que Adam Smith, afirmava em 1750, quando investigava a origem da insuficiência da riqueza inglesa, a partir da indústria artesanal da época em contraponto a alta mortalidade infantil, quando o pobre morria de inanição e varíola, ele destacava que a deficiente educação dos industriais, simples artífices e comerciantes bem-sucedidos, contrapunha-se à má vontade e à desonestidade dos operários, o que impedia um progresso técnico mais efetivo e próspero ao império britânico em expansão. *ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA, 50, é economista do Paradigma Estudos e Pesquisas, mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Anpec/Ufpa, conselheiro do Corecon-MT e representante do Corecon na Fiemt
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