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ARTIGO
Segunda-feira, 09 de Julho de 2012, 21h:25

ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA

Mercado de trabalho em MT

Dados Ministério do Trabalho (Estatísticas de Vínculos Empregatícios) apontam que dos 646.466 recolhimentos feitos em 2011, 438.620 foram para trabalhadores com 1 mês a 2 anos de tempo de serviço. Pesquisa aponta, ainda, que as melhores médias salariais são para as pessoas com maior tempo de serviço. A partir dessas informações efetuaram-se algumas indagações: Por que a rotatividade é tão grande no mercado de trabalho de MT? Se há falha, ela se encontra no capital ou no trabalho? Qual a consequência para a economia do Estado? Em busca de breves sugestões, menciona-se que rotatividade de trabalho tem a ver com ambiente e condições de trabalho, remuneração, proteção social, intervenção governamental, formalização e informalização do trabalho, além da organização sindical. Elevados graus de rotatividade de emprego em determinada economia significam a ausência dos fatores acima mencionados ou o seu excesso. Importante, também, é saber quais setores estão imbricados nessa situação, mesmo porque, nos últimos 10 anos a taxa de desemprego (2002 a 2012) no Brasil saiu de 14% para algo em torno de 6% (sites: Ministério do Trabalho, Planejamento, Desenvolvimento Social, vários anos). Mato Grosso, apesar de não fazer parte de estatísticas sobre taxa de desemprego, pois, esta pesquisa é efetuada pelo IBGE nas cidades metropolitanas, todavia, pelo censo de 2010, a população do estado era de 2,8mi. de habitantes, com uma população economicamente ativa de 52% desse montante, auferindo um rendimento médio/mensal de 609,90 reais. Isso, explica, em parte, o “porque” do elevado índice de rotatividade no mercado de trabalho mato-grossense, onde, apesar da relativa proteção e distribuição sociais (férias, final de semana remunerado, 13 salário, seguro-desemprego, etc.), a qualidade do trabalho caracteriza-se mais pela desqualificação, informalização e precarização. Em vista disso, a propalada geração de emprego dos dias de hoje confunde-se com a formalização do mesmo e as metodologias de cálculo de desemprego pelo IBGE que consideram todo e qualquer ocupação do trabalhador economicamente ativo, pouco contribuem pela busca do Pleno Emprego Qualitativo. Portanto, o momento é adequado para reflexões patronais, que arcam com os custos da rotatividade, junto a trabalhadores sindicalizados e não sindicalizados, que suportam uma rendia média pouco animadora, por isso, muitas vezes, a esperança em efetuar, em poucos anos, “fundos trabalhistas” no trabalho formal e partir para atividades autônomas, frequentemente informais, ou viver do seguro-desemprego, o que requer uma reflexão, também, profunda sobre a interferência governamental no mercado de trabalho, que termina por transferir elevados ônus tributários a economia estadual, asfixiando o consumo e novos investimentos em atividades produtivas, geradores de emprego, renda e autonomia do consumidor. Não menos importante, é oportuno mencionar que Adam Smith, afirmava em 1750, quando investigava a origem da insuficiência da riqueza inglesa, a partir da indústria artesanal da época em contraponto a alta mortalidade infantil, quando o pobre morria de inanição e varíola, ele destacava que “a deficiente educação dos industriais, simples artífices e comerciantes bem-sucedidos, contrapunha-se à má vontade e à desonestidade dos operários”, o que impedia um progresso técnico mais efetivo e próspero ao império britânico em expansão. *ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA, 50, é economista do Paradigma Estudos e Pesquisas, mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Anpec/Ufpa, conselheiro do Corecon-MT e representante do Corecon na Fiemt [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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