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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 21 de Agosto de 2010, 12h:05

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

Melhor que Duda

Uma mulher rígida, tipo “dama de ferro”, virou um “doce”, com o seu perfil áspero suavizado pela magia do marketing eleitoral comandado pelo aprendiz de feiticeiro, João Santana. Discípulo e ex-sócio de Duda Mendonça e que está ficando maior e melhor do que o mestre. Veja só o que Santana fez com a presidenciável Dilma Roussef, que no horário eleitoral gratuito mais parece uma mãezona. Para completar o figurino, só falta o avental “todo sujo de ovos” e o lenço amarrado na cabeça. Porém, a par de mostrar, de forma até lúdica e com emoção bem dosada (sem cair na apelação piegas), esse lado mulher de carne e osso, a propaganda eleitoral de Dilma não se esqueceu de que se trata de uma campanha eleitoral – que exige, portanto, discurso político e bem focado - e não de uma competição para escolher a mãe do ano. E nessa linha, traz a imagem forte de alguém competente no ofício de governar, com pulso firme para traçar diretrizes e comandar o país. Seguindo na mesma linha implementada por Lula e, mais importante, uma mulher decidida a aperfeiçoar o que não avançou ou ainda falta por fazer em diversas áreas. Se Lula foi bom, ela será melhor. É a mensagem. Em suma, João Santana nos trouxe uma Dilma na versão ternura, repetindo com novos ingredientes o “Lulinha Paz e Amor”, mas que não deixará de ser durona, disciplinada no cumprimento de seus relevantes deveres de potencial presidente da República. E com todas as condições políticas e eleitorais de chegar lá, e já no primeiro turno, segundo apontam as mais recentes pesquisas eleitorais. Voltando a Duda, lá atrás, quando da primeira eleição de Lula para Presidente da República, o marqueteiro baiano sacou que o conservadorismo empedernido da grande maioria da sociedade brasileira, que não vota na contramão dos padrões burgueses, inclusive e principalmente seduzida pelos aspectos mais estéticos do que propriamente éticos, e apresentou ao eleitorado, através da telinha da TV, um Lula envergando terno de grife, cabelo cortado no estilo da moda e barba bem aparada. Não deu outra, vestido com o figurino “classe média”, mais palatável aos olhos e conceitos da maioria do povo brasileiro que o estilo “guerrilheiro”, informal e desleixado anteriormente adotado pelo grande líder petista, Lula se elegeu presidente, e o resto da história vocês conhecem... Porém, Lula é Lula, com umbigo de fora, cabelos desgrenhados e barbudo, tinha e tem carisma. De bermudão ou terno Gucci fala a língua do povo e interage com as grandes massas populares de uma forma – e aí vale o bordão – “nunca antes vista neste país”. O que, convenhamos, facilitou a “maquiagem” que Duda Mendonça aplicou nele. Quanto a Dilma, com toda fama de executiva eficiente, já no quesito carisma se iguala a Serra, outro “sem graça”, também com áurea de capaz, mas não tem Lula ao seu lado. Por mais que tente colar a sua imagem à do presidente da República, não consegue. Lula é Lula. E gruda em quem ele quer. Mário Marques de Almeida é diretor do site e jornal Página Única. E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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