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ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2014, 21h:38

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Medo medonho da Marina

Tenho muito medo da Marina Silva. Os estragos que ela pode causar ao país são potencialmente muito grandes. A nova forma de fazer política, muito alardeada e não bem explicada por ela, tem características de aventura. Já vimos isso em passado recente. A proposta de governar sem os partidos, partindo dela que conhece por dentro o Congresso Nacional, não é uma ingenuidade política, mas sim uma engabelação eleitoreira. Ela sabe, com certeza, que os partidos políticos só apoiam mediante compensação e que esses apoios são necessários para governar. Este quer o ministério dos transportes, aquele o da saúde, outro, o Banco Central. Assim, há mil formas de “comprar” o apoio de que vai precisar para a sustentação do governo. Isso é da democracia, ou a deturpação dela, considerada por todos a “menos ruim” forma de governo que existe. Abrindo um parêntese: em 1899 o diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos teria dito “tudo o que podia ser inventado já foi inventado”. Por sorte ninguém acreditou nele e continuou dando corda na imaginação. Acho que está na hora de desacreditarmos dessa decantada democracia e procurarmos alternativa. De repente existe alguma coisa a ser inventada. Voltando à vaca fria: Nelson Rodrigues dizia que o dinheiro compra até o amor verdadeiro. Cargos públicos, da mesma forma, compram, também, o apoio incondicional. A candidata tem outro sério problema: o fanatismo. No caso dela, evidente em duas vertentes. O religioso e o ecológico. Os fanáticos se acham inspirados por uma divindade e estão absolutamente convencidos de que são donos da verdade. Atrás de uma falsa modéstia, que não passa de discurso, tem um prazer orgástico em manipular os outros, convencer os infiéis, que são todos os que pensam diferente, e impor, por verdadeira, toda sua ideologia ou crença. A candidata proibiu a coligação de receber dinheiro da Indústria de armas, das fábricas de cigarros, dos produtores de bebidas alcoólicas e dos fornecedores de agrotóxicos. Deixando de lado o mais nefasto dos seguimentos que é o das empreiteiras. Ora, o que ela quis dizer ao selecionar os setores que não podem “contribuir” na campanha? Provavelmente o seguinte: “Se aceitar dinheiro deles vou ter que retribuir depois de eleita. Como não vou dar chance pra essa turma, então não recebo”. A sequência do raciocínio nos autoriza a pensar que ela vai sim, “devolver” aos demais apoiadores não discriminados a ajuda recebida. Ou também podemos concluir que na sua ciclópica prepotência considera esses seguimentos fora da lei, embora totalmente apoiados pela legislação do país. Colocando no mesmo balaio tabaco, cachaça, armas e defensivos agrícolas que ela chama de agrotóxico, mostra uma tendência e duas ignorâncias: a tendência é a de manipular as pessoas dizendo o que elas podem consumir. A primeira ignorância: desconhecer que a maioria absoluta das armas fabricadas no Brasil são para exportação ou uso oficial. A segunda: Teimosia infantil em não reconhecer a importância inegável dos defensivos para a produção de alimentos. O fanatismo religioso a leva a decidir se as pessoas podem fumar, beber ou fabricar armas e o ecológico retrógrado a faz pensar que é possível produzir tomate, milho, soja, etc. em escala comercial sem defensivo ou fertilizante. Sem os defensivos agrícolas e plantas transgênicas não há a menor possibilidade de o mundo produzir alimentos para atender a demanda. Ela devia sim incentivar essa indústria na busca de produtos cada vez mais eficientes e seguros. Claro que ela, se eleita, não vai conseguir impor o padrão acreano à agricultura comercial, mas pode distanciar-nos ainda mais do que tem de mais desenvolvido no agronegócio mundial. Eu, como bom ateu, clamo aos céus: Deus me livre dos românticos abraçadores de árvores, “sonháticos” adoradores de sapos e legalistas religiosos. Oh Glória! *RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário e escritor [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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