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ARTIGO
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009, 21h:21

RICARDO ARIOLI SILVA

Mato Grosso no foco do mundo

Mato Grosso está pronto para debater soluções que destravem aspectos que roubam a competitividade do agronegócio, o único em todo o mundo, que tem potencial de expandir significativamente a área plantada sem derrubar uma árvore sequer. Mais do que a busca por alternativas, produtores mato-grossenses querem mostrar a importância do trabalho executado no campo dentro do próprio estado, para a nação e para o mundo. Exemplo disso é que a produção local representa 30% da soja nacional e 8% do grão disponibilizado no mundo. O Estado conquistou em 2009 a liderança nacional na produção de grãos e fibras, é responsável por 39% das exportações de soja do Brasil, mas ainda vive, ano a ano, as conseqüências da falta de uma política agrícola que atenda às diversidades de cada região ou estado e refém de uma logística que abocanha resultados. Não há como sustentar liderança e performance sem políticas que salvaguardem a renda. Política focada apenas na produção já caducou. Nos Estados Unidos, por exemplo, os produtores têm seguro de renda, já que a política daquele país protege o campo das oscilações mercadológicas e não apenas climáticas. No Brasil, a União ainda patina para aplicar o seguro rural. Com este espírito de desbravar problemas dentro e fora da porteira é que a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), junto com associações parceiras – Aprosoja e Ampa – e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar AR/MT), promovem a partir desta quarta-feira (19-08) a terceira edição da Bienal dos Negócios da Agricultura, evento que tem como tradição trazer à tona gargalos e ‘colher’ soluções que brotam no campo, mas contemplam toda a sociedade. A Bienal vai abordar temas estratégicos para o produtor rural do Estado, tanto para elucidar questões que estão da porteira para dentro e dependem da expertise de cada um, como a gestão da propriedade e a sucessão familiar, e aspectos alheios às atitudes aplicadas no dia-a-dia, como a questão fundiária, a logística, os efeitos da crise mundial, os fertilizantes, as novas tecnologias, entre outros assuntos. Se nós, produtores mato-grossenses não chamarmos a atenção para o potencial que este Estado tem na produção mundial de alimentos, ficaremos acumulando perdas e rótulos porque o plantio é uma ação mais passional do que racional: plantamos porque amamos e sabemos fazê-lo. Esta postura, que tem sido letal a muitos produtores, poderá ser letal para o controle inflacionário do país e para relação de consumo mundial. Ações que implementam a produção responsável no Estado podem ser vistas para quem quiser enxergar. Cerca de 90% dos produtores lançam mão do plantio direto, uma tecnologia que corta pela metade a emissão de gases de efeito estufa e de lambuja protege o solo da erosão. No Brasil, esta técnica ocupa 53% da área plantada. Nos Estados Unidos, são 18,8%, na Argentina, 74,3%, no Canadá, 31,8% e na Austrália, 20,5%. É preciso dizer também que Mato Grosso tem 63% de seu território preservado. São 29% da área ocupados com pecuária e outros 8% com lavouras de grãos e fibras, o que dá apenas 37% de área destinada à produção agropecuária. Problemas existentes da porteira para fora, fazem com que o produtor perca cerca de R$ 12 por saca de milho com frete, pois no Sul do Brasil os mesmos 60 quilos têm cotação de R$ 20 e aqui, na região de influencia da BR 163, que concentra as maiores lavouras de grãos do Estado, o valor despenque para R$ 8 e R$ 9. Essa é a Bienal, um evento focado em discutir questões pertinentes com quem pode fazer a diferença: produtores, estudiosos, autoridades públicas, privadas e ministros. Esse é Mato Grosso, buscando a liderança não apenas na oferta de grãos, mas no agronegócio como um todo. * RICARDO ARIOLI SILVA, produtor rural em Campo Novo do Parecis e coordenador da Bienal dos Negócios da Agricultura

Edição EDIÇÃO 16963




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