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ARTIGO
Sábado, 28 de Março de 2009, 13h:13

ONOFRE RIBEIRO

Maria Angélica e a OAB

Tenho sido crítico neste espaço, em muitos artigos anteriores, em relação à pouca animação dos jovens sobre as suas próprias vidas e ao comprometimento com o seu futuro. Fui professor de disciplinas técnicas no curso de Jornalismo. Afastei-me, desiludido com o mínimo comprometimento das turmas em relação a si mesmas. Alunos interessados no barzinho em frente da universidade, em namoricos, em armar programas para os fins de semana e, no máximo, discutir a última partida de futebol. Como vim de uma formação rigorosa na escola fundamental, secundária e na própria universidade, somando isso com os anos de vida, compreendi que a escola e eu éramos incompatíveis. Trago esse assunto para uma outra abordagem positiva, gratificante e feliz. Minha sobrinha, Maria Angélica, de 23 anos, concluiu o curso de Direito na Universidade Federal de Mato Grosso neste ano. Prestou as provas de admissão à advocacia na Ordem dos Advogados do Brasil e foi aprovada na primeira tentativa. Porém, mais importante do que ser aprovada, foi obter a nota 10 na segunda fase, que é a objetiva de resolução de questões jurídicas. Meu orgulho por ela decorre disso e de outras circunstâncias muito particulares. Sua mãe, Cida, é irmã de Carmem, minha mulher. O pai, Flávio, é um trabalhador em serigrafia. Nenhuma tradição de juristas na família. Nenhuma condição mais favorável para facilitar a sua vida acadêmica. Estudou e trabalhou durante todos os anos do curso, dormiu pouco e não namorou. Abriu mão de boa parte da vida desde os 17 anos para estudar. Xerocopiou livros, pediu emprestado, estudou na casa de amigos, passou noites em frente ao computador buscando as informações que não teve nos livros que não pôde comprar. Obteve nota máxima, recebeu em casa telefonema da direção da OAB cumprimentando-a pela aprovação. A OAB não estimula a classificação dos aprovados, porque estaria fora do seu papel. Ela apenas divulga os aprovados. Pessoalmente, por conhecer Maria Angélica tão bem, porque viveu junto conosco esses anos todos, tenho a mais tranqüila certeza de que ela foi a primeira classificada no estado, se a OAB se decidisse classificar os aprovados. Trouxe o assunto a este artigo, quem sabe, para uma contribuição a tantos jovens que possuem todas as facilidades, mas preferem afundar a sua vida nos barzinhos, no álcool, em drogas, em futilidades e na fuga da realidade que a vida lhes reservará mais dia, menos dia. Excluo o fato de Maria Angélica ser minha sobrinha. Mas não posso ignorar que ela lutou apenas com o apoio possível dos pais, nosso e dos parentes. Esse apoio não bastaria, se ela não se assumisse e compreendesse que a sua elevação profissional, levará junto os pais e a irmã Rafaela que ainda engatinha nos vestibulares. O comprometimento de Maria Angélica entra na vida da sua família, na minha e em todos os seus parentes, como um símbolo de que ser jovem e ter responsabilidades consigo e com a sociedade, são coisas que combinam perfeitamente. Por fim, fico imaginando com que garra essa menina vai encarar a vida daqui para a frente. Por si mesma e por méritos próprios! ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da Revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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