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ARTIGO
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012, 21h:47

LAURA NABUCO

Mais seriedade

Sem objetivo de defender partido A ou B, candidato fulano ou sicrano, tenho que me manifestar contra políticos e agremiações que usam argumentos míopes para criticar propostas de legalização ou descriminalização do aborto e do uso de drogas. Para começar, sempre busquei respeitar todas as religiões, e exatamente por isso acho que recorrer a elas para embasar qualquer posicionamento não é uma postura válida. Afinal, o Estado precisa legislar para todos, sem distinções. Se sua religião condena, ótimo. Não faça! O que não se pode admitir é que o Governo não atenda mulheres e, sim crianças, que não têm condições de sustentar suas famílias por princípios religiosos que não são unanimidade. É verdade que muitas das gravidezes indesejadas são fruto de descuidos de jovens e que poderiam facilmente ter sido evitadas. A União tem políticas para isso: distribuição de preservativos, de anticoncepcionais, além de programas de orientação sobre sexo seguro. Mas atire a primeira pedra quem nunca cometeu um deslize que, com um pouco menos de sorte, também poderia resultar num filho. Se de um lado o Bolsa Família, Escola, Gás, “Esmola”, ajuda a criar estes filhos. De outro, faltam creches, médicos, emprego para esses bebês que vão crescer um dia. Também falta estrutura que permita a essa mãe a mesma oportunidade de crescimento - como cursar uma faculdade e dar um futuro digno a sua família. O resultado é o crescimento da pobreza que, por sua vez, gera criminalidade, onde o uso de drogas está incluído. Não pretendo com este artigo colocar um ponto final na discussão e levantar a bandeira da legalização ou descriminalização do aborto. Mais pontos precisam ser analisados. Pretendo sim mostrar como o debate sobre a causa está embasado em argumentos rasos. Basta perguntar por que a lei já permite abortos em casos de estupro ou de risco de vida à mãe. Eles bebês são menos humanos que os gerados numa noite de aventura ou descuido? Ainda sem fazer apologia a este ou aquele candidato, ganhará o meu voto o que tiver coragem de assumir publicamente estar interessado em fazer um debate sério sobre o tema. LAURA NABUCO é repórter

Edição EDIÇÃO 16963




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