O Lula não prega prego sem estopa... Vejam um exemplo: quando o presidente brasileiro, na quinta-feira (7), em entrevista coletiva concedida em Berlim, na Alemanha, afirmou que a não-renovação da concessão de uma emissora de televisão (RCTV) pelo presidente venezuelano Hugo Chávez foi um ato democrático tanto quanto seria a manutenção da referida concessão, mais do que solidarizar-se com seu amigo-ditador, Lula mandou o seu recado para as emissoras de TVs brasileiras. Para um bom entendedor, já diz o ditado, um pingo é letra. E nessas alturas, o recado teve ter chegado aonde deveria. Ocorre que ainda este ano de 2007 vencem as outorgas de 28 emissoras de TVs e 153 canais de rádios, entre elas a Globo, Record, Bandeirantes e Cultura. As concessões públicas são uma licença temporária concedida pelo governo para uma determinada empresa transmitir conteúdos por canais do espectro eletromagnético. No caso das televisões têm validade de 15 anos e para os rádios de 10 anos. Em entrevista recente ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com aquela simploriedade característica e que tanta fascina as grandes massas populares (aí é que mora o perigo), disse que o mesmo Estado que dá uma concessão é o mesmo que não dá. Dessa forma, Lula tentou legitimar o ato de Chávez, hoje, usando um argumento perigoso. À medida que, amanhã ou depois (quem garante que não?) pode ser transportado para o nosso país, haja vista que o partido do presidente da República, o PT, não esconde defender um controle mais rígido, por parte do aparelho de Estado, dos meios de comunicação social. Talvez, os ideólogos petistas defensores do amordaçamento da liberdade de informação e livre circulação das idéias, não considerem ainda dócil e amestrada o suficiente a grande parcela da mídia que trata o Governo (e quem mais estiver no poder, seja político ou econômico) de forma complacente, quando não lisonjeira. E por falar no PT, esse partido endossou a fala de Lula em apoio ao cancelamento das transmissões da mais antiga emissora de TV da Venezuela. Através da sua Secretaria de Relações Internacionais, o partido emitiu nota de solidariedade ao decreto democrático do ditador Hugo Chávez. Enquanto recebe afagos e incentivo de Lula e do PT para avançar em suas práticas antidemocráticas, silenciando um canal de TV que lhe fazia oposição, Chávez retribui estimulando o seu êmulo Evo Morales a investir contra tudo o que representa interesse brasileiro, a começar pelos investimentos da Petrobras, em território boliviano. Nesse contexto, o PT faz o papel de corda, Lula é a caçamba e Chávez representa a escuridão do poço. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista em Cuiabá
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