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Cuiabá MT, Domingo, 07 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2002, 09h:34

JOANICE PIERINI

Longo Caminho

“Longo caminho” é nada mais nada menos que o nome do último disco lançado pelos Paralamas do Sucesso, mês passado. E não é à toa que o vocalista da banda, Herbert Vianna, chama a obra de “o disco da minha renascença”. Todas as onze músicas do CD foram compostas antes do acidente de aeroplano sofrido por Vianna, em 4 de fevereiro de 2001, quando sua mulher, Lucy, morreu, e ele ficou gravemente ferido. As canções só foram gravadas entre março e abril deste ano, quando o cantor começou a se recuperar do trauma. Aliás, dizem os amigos da banda que o processo de produção foi uma viagem inversa: gravar o disco é que deu a Hebert ânimo para se recuperar. Se em “Longo Caminho” João Barone continua sendo o melhor baterista do Brasil; se a guitarra de Bi Ribeiro está na proporção certa; se João Barone é mesmo o baterista, ou se confundi os dois co-pilotos... Eu, como passageira da segunda categoria, não me atrevo a comentar. Neste tipo de vôo, curto mesmo as letras das músicas, e por isso não resisti a elogiar este CD, principalmente depois de ouvir “Seguindo Estrelas”, que diz: “sigo palavras e busco estrelas, o que é que o mundo fez pra você rir assim; pra não tocá-la, melhor nem vê-la; como é que você pôde se perder de mim... Fico acordado noites inteiras, os dias parecem não ter mais fim; e a esfinge da espera, olhos de pedra sem pena de mim...” Também a quinta faixa – “Cuide bem do seu amor” – é um deleite em três minutos e trinta e nove segundos, especialmente para apaixonados. “A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega; No momento em que eu queria ver; O segundo que antecede o beijo; A palavra que destrói o amor; Quando tudo ainda estava inteiro; No instante em que desmoronou...” Mesmo achando tais letras um fenômeno, elas não teriam vindo desembarcar aqui caso eu não tivesse lido uma recente entrevista de Hebert, verdadeiro mágico na arte de pilotar palavras. “Se eu tivesse que espremer a minha cabeça, imagino que falaria sobre espiritualidade. Isso é algo que está muito alto na minha lista de desejos, de sonhos de existência.” Com turbulências ou tempo claro, vale a pena ouvir “Longos Caminhos”. É como um looping para quem se atreve. E o pouso só será difícil e forçado se você for daqueles que não considera necessária uma boa dose de subjetividade nesta vida já tão complicada. JOANICE PIERINI é editora-executiva e escreve nesse espaço às segundas-feiras. E-mail: [email protected]

Edição edição 16957




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