Racismo, preconceito, chantagem, comentários maldosos, brigas, ofensas, intimidações, agressões físicas e psicológicas, são fatos que transformam a vida escolar de muitos alunos em um verdadeiro inferno e a isso na sociedade atual chama-se bullyng, que em inglês significa usar a superioridade física para intimidar alguém. As vítimas são aquelas consideradas fracas e frágeis, que viram objetos de diversão e prazer. Essas brincadeiras de mau-gosto, como eram chamadas antigamente, trazem sérios problemas de aprendizagem, e em casos gravíssimos, suicídio e homicídio. Mesmo sendo um fenômeno antigo, ainda hoje há um certo ocultamento dos fatos, porque as vítimas não têm coragem suficiente ou até mesmo vergonha para denunciarem seus agressores. As conseqüências afetam a todos, mas a vítima é a mais prejudicada, pois poderá sentir os efeitos do seu sofrimento silencioso por boa parte de sua vida. Tornando-se uma pessoa apática, retraída, indefesa aos ataques externos, com autoestima baixa, achando que é uma incompetente. Já o agressor, reproduz em suas futuras relações, o modelo que sempre lhe trouxe resultados: o do valentão, do tirano, usa sempre a força e a agressão para realizar seus desejos. É fechado à afetividade, e em casos mais extremos, parte para a delinquência e a criminalidade. A educação do jovem nos dias atuais tem se tornado cada vez mais difícil. Muitos pais sentem-se perdidos, não podem educar como antigamente, onde, principalmente a mãe, era a responsável direta pela criação dos filhos, hoje, os dois, pai e mãe, trabalham fora e pouco tempo têm para dedicarem-se à educação dos filhos. Transferem esse dever a outros, ou deixam os filhos sozinhos entregues à própria sorte. Além dessa falta de tempo, não conseguem dar uma estrutura emocional satisfatória, não conseguem resolver conflitos por meio do diálogo e da negociação de regras. Muitas vezes partem para a arbitrariedade do não ou pela permissividade do sim, não oferecendo nenhum referencial de convivência pautado no diálogo, na compreensão, na tolerância, no limite e no afeto. A família não pode cruzar os braços e deixar que as coisas aconteçam. O afeto entre os membros de uma família é fundamental para uma educação estruturada. Além disso, a verdade e a confiança são os demais elementos necessários nessa relação entre pais e filhos que precisam evitar atitudes de autoproteção em demasia, ou de abandono aos filhos. A atenção em dose certa é primordial no processo evolutivo e formativo do ser humano. E essa falta de atenção, de tempo, de afetividade que faz com que esses jovens pratiquem violência, muitas vezes os pais não têm a menor ideia do que seus filhos praticam fora de casa, sem contar que esse jovem agressor, também pode ter sofrido agressões, ter sido vitima e aí acaba reproduzindo esse comportamento tão deprimente e triste. Já a escola, tem que ser mais observadora tanto da parte dos professores quanto dos demais profissionais ligados ao espaço escolar. Devendo observar os sinais de violência, procurando neutralizar os agressores, bem como dar assistência às vítimas e incentivar os demais alunos a delatá-los. Além disso, tomar algumas iniciativas preventivas do tipo: aumentar a supervisão na hora do intervalo; coibir em sala de aula ações como o menosprezo, apelidos, ou rejeição de alunos por qualquer que seja o motivo. Também pode-se promover debates sobre as várias formas de violência, respeito mútuo e a afetividade. Mas tais assuntos precisam fazer parte da rotina da escola. De nada valerá falar sobre a não-violência, se não fizer nada para combatê-la. É necessário que todos os envolvidos no processo educacional estejam atentos a este vilão que permeia a educação do século XXI e contribuam para que a prática do Bullying venha a se extinguir de nossas escolas. * ROSEMARI PELISSARI é professora da rede estadual
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