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ARTIGO
Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011, 20h:37

LORENZO FALCÃO

John Keats

“Brilho de uma Paixão”, filme sobre John Keats (1795-1821), poeta inglês, considerado o último romântico. Hoje incensado e canonizado pela crítica literária, Keats, morreu com apenas 25 anos, acreditando ser um fracasso. Olha, a combinação de cinema com poesia é uma tentação pra este escrevinhador. Somado a isso, o fato de que a direção é de Jane Campion, cineasta neozelandesa de “O Piano”, filme que acumulou prêmios em 1993, entre eles, Oscar, Globo de Ouro, Palma de Ouro e Bafta. Quem faz um filme como “O Piano”, é quase certo, não fará algo tão desprezível. De fato, desde o começo de “Brilho de uma Paixão”, percebe-se que estamos diante de um filme sensível, inteligente e produzido esmeradamente. O “Brilho de uma Paixão” estava gravado há alguns dias na minha TV paga e senti que havia chegado a sua hora aqui em casa. Peguei um livro de John Keats que já li avidamente, para reler alguns poemas e me inspirar. Não foi a coisa correta, talvez, porque poesia romântica é coisa do passado e não é qualquer hora que a gente sai lendo poesia e se convence. Para ler poesia, também é preciso de inspiração. Acho que isso me faltou. “Esse John Keats é um chato”. Sim, cometi esse sacrilégio. Não espalhem, por favor. Pouco depois, firmei os olhos no filme que estava rolando, assim, meio invejoso, porque minha esposa já se mostrava embevecida com ele. Que beleza, quanta poesia no filme. Uma poesia visual. Imagens surpreendentes que mais pareciam uma sequência de obras de arte. E que interpretação de elenco, quanta verossimilhança na narrativa em torno da vida de Keats, aqui mostrado totalmente envolvido com a sua poesia e com a paixão correspondida, mas não consumada, por uma bela jovem. “Brilho de uma Paixão” me remeteu ao título de um livro incrível do mato-grossense Ricardo Dicke, “O Salário dos Poetas”. Sem conseguir ganhar dinheiro com seus versos e, atolado em dívidas, Keats comeu o pão que o diabo amassou. Por causa das dificuldades financeiras, renegava seu amor. Para completar, como romântico que se presa, tratou logo de contrair uma grave doença pulmonar. Pouco a pouco, fui me envolvendo totalmente com a história. Li uma crítica sobre o filme, classificando-o como um quadro. Não há como negar essa força pictórica que emana da obra. Mas também o julguei como um grande e belo poema, pela qualidade do roteiro e dos diálogos apresentados. Ao final, um magnífico poema de John Keats é descortinado. E a poesia romântica desse autor mostra-se altaneira e inspirada. Um filme terno e justo, à altura do grande poeta. LORENZO FALCÃO é editor do caderno Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras tyrannusmelancholicus.blogspot.com

Edição EDIÇÃO 16967




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