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ARTIGO
Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 20h:42

ONOFRE RIBEIRO

Integração com o Chile

De amanhã até depois de amanhã, uma comitiva chilena da região de Arica, cidade portuária do extremo-norte do Chile, estará em Cuiabá para discutir um tema que não é novo, mas que vem andado muito devagar: a integração sul-americana. Esse assunto nasceu como discussão pública em 1993, quando dois ônibus com empresários, políticos e técnicos viajaram desde Cuiabá até Arica, sem saber se havia ligação rodoviária. Foi uma aventura que trouxe um bom discurso de integração. Na Bolívia, no Chile, no Peru e no norte da Argentina, existe muita expectativa a respeito de uma sonhada ligação entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Arica tem 200 mil habitantes e é a capital da 15ª Região do Chile. É uma cidade portuária que movimentou 2 milhões de toneladas de cargas em seu porto em 2007. Tem uma zona franca que facilita as transações de investimentos dentro da dinâmica economia chilena. Já Mato Grosso tem grandes possibilidades de complementar mercados com a região de Arica. Não se trata de exportar grãos e cargas grandes por terra via Bolívia. Para o professor Serafim Carvalho Melo, que coordenou a expedição de 1993 e desde então nunca mais se desligou do assunto: “Como se sabe, Mato Grosso é o décimo maior Estado exportador do Brasil, com mais de U$ 4 bilhões em 2007, cuja pauta de exportação se concentra nos complexos soja: grãos, farelo e óleo; carnes: bovina, aves e suína, algodão, couro e madeira, entre os principais produtos. Entretanto, nada é exportado diretamente para o Chile, que se situa distante 2 mil quilômetros de Cuiabá, via Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Em 2003, Mato Grosso chegou a exportar 4 mil toneladas de carnes para o Chile, via rodoviária, por São Paulo e Buenos Aires”. Do ponto de vista econômico, Serafim Carvalho afirma: “O potencial de mercado existente entre estas duas regiões é complementar. Em quanto somos tradicionais produtores de alimentos e importadores dos insumos para produzí-los, o norte do Chile, confinado entre o mar e montanha, sobre o deserto, é tradicional importador de alimentos e exportador de fertilizantes. É grande produtor ainda e exportador de farinha de peixe, frutos do mar, pescado, condimentos, frutas, vinhos, MDF e cobre”. A expectativa é de que este encontro de Cuiabá entre amanhã e depois de amanhã, mantenha na pauta os entendimentos crescentes que datam de 1996. Há muito mais a favor do que em desfavor das regiões, dos países de lá, com o Brasil e com o estado de Mato Grosso em particular”. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16966




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