Depois de transformar Leonardo Da Vinci, a maçonaria e o Vaticano em tema de seus romances, o autor norte-americano Dan Brown agora tem um novo alvo: o mestre da literatura italiana Dante Alighieri (1265 1321). Inferno, sua nova história, também protagonizada pelo simbologista Robert Langdon, volta ao coração da Europa, cenário dos romances de maior sucesso de Dan Brown, O Código da Vinci e Anjos e Demônios ambos adaptados para o cinema com Tom Hanks no papel de Langdon. Em Inferno, Brown semeia sua habitual trilha de símbolos ocultos, enigmas, conspirações e sociedades secretas, mas desta vez tendo como centro condutor a Divina Comédia, obra-prima de Dante Alighieri considerada o marco fundador do italiano como idioma literário. No livro, dividido em três partes (Inferno, Purgatório e Paraíso), Dante narra sua jornada pelo mundo além da vida, descendo aos infernos e alçando os níveis do céu, guiado ora por sua amada Beatriz e ora pelo poeta romano Virgílio. Em O Código Da Vinci, Dan Brown revelou uma heresia com o poder de virar o cristianismo, Anjos e Demônios apontou uma arma nuclear, no Vaticano, e em O Símbolo Perdido revelou um clã de maçons que praticavam rituais sinistros em Washington. Agora, em Inferno, ele apresenta uma ameaça biológica que pode exterminar a nossa espécie. Nos romances anteriores, Langdon nos conduziu a perseguições pelas ruas de Paris, Londres, Roma e Washington. Agora o mesmo itinerário de tiroteios pontuado por palestras iconográficos nos conduz a Florença, Veneza e Istambul. Como dá para notar, a fórmula de Dan Browm se repete de um livro para outro. Seus críticos o acusam de falta de originalidade e de não se arriscar em novos temas. Creio eu que ele está bem certo, descobriu o elixir que lhe garante fama e fortuna através das milhões de pessoas que devoram o seus livros em todo o mundo. Vários outros artistas são acusados de sempre fazerem a mesma coisa: quantos não criticam o Roberto Carlos por fazer o mesmo tipo de música? Há quase meio século ele é o cara que mais vende música neste país. E quantos não criticam João Gilberto por cantar do jeito que só João Gilberto canta? O que ele criou a bossa nova já não basta? Os críticos bem que merecem serem mandados para o inferno. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário.
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