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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 25 de Maio de 2013, 13h:09

GUSTAVO OLIVEIRA

Inferno e críticos

Depois de transformar Leonardo Da Vinci, a maçonaria e o Vaticano em tema de seus romances, o autor norte-americano Dan Brown agora tem um novo alvo: o mestre da literatura italiana Dante Alighieri (1265 – 1321). ‘Inferno’, sua nova história, também protagonizada pelo simbologista Robert Langdon, volta ao coração da Europa, cenário dos romances de maior sucesso de Dan Brown, ‘O Código da Vinci’ e ‘Anjos e Demônios’ – ambos adaptados para o cinema com Tom Hanks no papel de Langdon. Em ‘Inferno’, Brown semeia sua habitual trilha de símbolos ocultos, enigmas, conspirações e sociedades secretas, mas desta vez tendo como centro condutor a ‘Divina Comédia’, obra-prima de Dante Alighieri considerada o marco fundador do italiano como idioma literário. No livro, dividido em três partes (Inferno, Purgatório e Paraíso), Dante narra sua jornada pelo mundo além da vida, descendo aos infernos e alçando os níveis do céu, guiado ora por sua amada Beatriz e ora pelo poeta romano Virgílio. Em ‘O Código Da Vinci’, Dan Brown revelou uma heresia com o poder de virar o cristianismo, ‘Anjos e Demônios’ apontou uma arma nuclear, no Vaticano, e em ‘O Símbolo Perdido’ revelou um clã de maçons que praticavam rituais sinistros em Washington. Agora, em ‘Inferno’, ele apresenta uma ameaça biológica que pode exterminar a nossa espécie. Nos romances anteriores, Langdon nos conduziu a perseguições pelas ruas de Paris, Londres, Roma e Washington. Agora o mesmo itinerário de tiroteios pontuado por palestras iconográficos nos conduz a Florença, Veneza e Istambul. Como dá para notar, a fórmula de Dan Browm se repete de um livro para outro. Seus críticos o acusam de falta de originalidade e de não se arriscar em novos temas. Creio eu que ele está bem certo, descobriu o elixir que lhe garante fama e fortuna através das milhões de pessoas que devoram o seus livros em todo o mundo. Vários outros artistas são acusados de sempre fazerem a mesma coisa: quantos não criticam o Roberto Carlos por fazer o mesmo tipo de música? Há quase meio século ele é o ‘cara’ que mais vende música neste país. E quantos não criticam João Gilberto por cantar do jeito que só João Gilberto canta? O que ele criou – a bossa nova – já não basta? Os críticos bem que merecem serem mandados para o inferno. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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