ARTIGO
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013, 20h:22
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JAIME CAMPOS
Homenagem à minha terra
Na última quarta-feira, fiz um discurso na tribuna do Senado, homenageando os 146 anos de fundação de Várzea Grande. Falei com a emoção de um filho, com a ternura de quem ama sua terra natal. Gostaria de destacar, neste artigo, alguns trechos de meu pronunciamento, reforçando, assim, meus sentimentos pela cidade. Para Henry James, o patriotismo começa em casa. Estou inclinado a concordar de maneira absoluta com o ensinamento deste renomado escritor norte-americano. Para mim, o amor à pátria começou nos limites do quintal de meu lar, onde aprendi, com meus pais, o respeito aos símbolos nacionais, a devoção às causas populares e, sobretudo, o orgulho de ser brasileiro. Portanto, patriotismo tem muito a ver com minhas lembranças e com a memória de tempos idos. Meu patriotismo tem sua raiz fincada no terreno de minha casa. Tem sua vitalidade calcada no relevo de minha cidade. Pátria, para mim, se inicia em Várzea Grande. É o rio que nunca se cansa de cumprir seu destino, é o sol que alimenta a natureza com seu generoso calor, é o céu de azul límpido e cristalino, é o sotaque melodioso dos meus vizinhos, com suas cadeiras arrumadas nas calçadas nos fins de tarde! Pátria, para mim, tem sabor de doce de caju, de bolo de arroz e de mojica de pintado. Por isso, ao homenagear minha querida cidade, no aniversário de 146 anos de sua fundação, gostaria de honrar a cultura e as tradições de nossa sociedade. Uma gente simples, mas altiva. De coração aberto, mas sábia. Apegada ao passado, porém corajosa para encarar o futuro de peito aberto. Nossa comunidade surgiu como acampamento de prisioneiros da Guerra do Paraguai. Nasceu da necessidade do isolamento de militares inimigos. Mas, surpreendentemente, converteu-se em polo de desenvolvimento econômico e num dinâmico centro de integração de migrantes de todos os recantos, que acorreram para lá em busca do progresso pessoal. Somos hoje uma síntese do país... Muitos sonhos, muitos sotaques, muita esperança; mas, infelizmente, também convivemos com inúmeras contradições sociais: com a miséria, com a violência urbana, com a falta de investimentos em infraestrutura e com uma administração municipal confusa e leniente. Todavia, a herança de nossos antepassados e a convicção de nossos contemporâneos sustentam a fé que cultivamos nos destinos deste rincão. Acreditamos em Várzea Grande, como acreditamos em nós mesmos: ela é nosso abrigo... O lugar onde reconhecemos nossos semelhantes, onde nos olhamos como irmãos e onde nos sentimos em casa. O várzea-grandense jamais desata os nós de suas ligações afetivas com a cidade. Porque se não possuímos grandes acidentes geográficos ou obeliscos gigantescos que definam nossa imagem para o mundo, temos uma gente de monumental bom humor e generosidade, admirada por todos que nos conhecem. O que nos distingue dos demais povos é, justamente, nossa capacidade de olhar a vida com satisfação e dignidade. *JAIME CAMPOS é senador da República