Como há mentirosos nesta terra do Deus-dará, Maria-vai-com-as-outras, salve-se quem puder e caras-de-pau. Mentir ainda é perdoável, pois se trata de doença. Porém, exigir que todo mundo acredite já é uma sem-vergonhice. Essa fama de vigarista teve o Rio de Janeiro que chegou até a vender os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor, os bondes, terrenos na praia de Copacabana, e até o bondinho do Pão de Açúcar para uma cuiabanada burra para o instalar numa propriedade particular interessantíssima bem ali em Chapada dos Guimarães em nome de uma copa do mundo que só está dando prejuízos para esta cidade do Deus-me-acuda. Mas, os vigaristas cariocas eram poetas, sedutores românticos cuja fama atraiu turistas do mundo inteiro. Vigaristas inteligentes. Vigaristas diplomáticos. Vigaristas educados. Você era enganado por eles, mas, de certo modo, um privilegiado por ter sido enganado por um carioca. Estamos na época de não falar sério. Talvez, o deboche seja mais interessante e surta mais efeito, como era antigamente. Pois não é que estão vendendo até as ruas de Cuiabá? De verdade. Será que os cariocas se mudaram para cá? Dizem até que houve um Papanatas burro que teria comprado a rua. Na verdade, o povo está chateado pelo desaforo da surdina, silêncio secreto de sempre. Soube ontem que acabam de colocar à venda a Ponte Sérgio Mota. Valor: um milhão e meio. Possível comprador: Frigorífico Itanhaém que pretende recuperar tudo com pedágio que cobrará do povo cuiabano. Sem falar do anúncio recente sobre a venda da Avenida Isac Póvoas e Generoso Ponce que se constituem numa avenidona só. Preço salgado: dois milhões de reais. Hoje, sentado nas escadarias da igreja matriz de Cuiabá, meu boné nas mãos, faturando uns trocados que são maiores do que os salários de médicos daqui, escuto cada coisa do arco da velha. Grandes bandidos de ontem afirmam hoje que foram vítimas dos militares. Que apanharam adoidados nas prisões das torturas dos quartéis. E que foram perseguidos pela ditadura militar. Conheço um ex-político metástase que era enojado/repudiado pelos próprios militares que não se conformavam com a maldade e covardia dele em viver atazanando o 16º BC único quartel de Cuiabá, como dedo-duro, sempre e covardemente sugerindo a prisão ou morte para seus próprios companheiros de partido sob o pretexto inventado de que eram comunistas porque contavam piadas de papagaio. Se alguém vestisse uma roupa com um só risco-enfeite na cor vermelha, lá estava ele dando parte da cor ou do desafeto. Moralista, defendia a família, Deus e os EEUU. Hoje, o encontrei na zona. Bêbado, com camisa vermelha, tomando Viagra inutilmente, fazendo discurso contra Deus, contra os milicos e contando uma história para a puta nua que fingia acreditar em tudo, sentada em seu colo, em que ele dizia que foi vítima feroz da ditadura militar... Não dá prá agüentar essa inversão de valores de hoje onde ex-guerrilheiros assassinos agora se travestem de vítimas do passado mentiroso onde muitos daqueles bandidos se tornaram pastores de igrejas inventadas, membros de ONGs, BONGs e LONGs em favor da natureza, dos direitos humanos dos animais, da honestidade, da pureza administrativa e política. Daquelas igrejas cujos padres eram/são espanhóis de extrema periculosidade e as madres também estrangeiras cujo Deus eram os EEUU e, hoje, são bolivianas e colombianas, cujo símbolo maior são os três patetas. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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