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ARTIGO
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, 20h:37

TÂNIA NARA MELO

Folga antecipada

Incrível, quando a gente pensa que já ouviu todos os disparates possíveis daqueles que se dizem representantes do povo no Parlamento, surge sempre algo mais inusitado. É o caso da proposta do líder do governo na Câmara, o deputado petista Cândido Vaccarezza que na semana passada disse que irá propor o adiantamento do recesso branco – aquele período em que os parlamentares só vão a Brasília para votar temas urgentes, sem ter a ausência computada – para que os nobres deputados possam acompanhar os jogos da Copa do Mundo em casa. A idéia é começar o recesso no dia 10 de junho, um dia antes do início da Copa. Normalmente, em ano de eleição, o recesso tem início no dia 18 de julho e vai até 31 de julho. Com a antecipação os deputados ganhariam uma folga extra de mais de 30 dias, tudo por conta da Copa do Mundo que acontece na África do Sul. Acompanhando essa linha de raciocínio a gente se pergunta qual será então o tamanho do recesso em 2014. Felizmente o presidente da Câmara, deputado Michel Temer negou a possibilidade de adiantamento do recesso. Até porque não fica bem para quem está na mira de ser indicado como vice na chapa da ex-ministra Dilma Roussef, candidata do PT à Presidência da República, apoiar uma medida tão estapafúrdia como essa. Afinal, pelo que se sabe nenhum trabalhador brasileiro poderá se dar ao luxo de fazer recesso no período da Copa; quando muito terá uma folguinha no horário dos jogos do Brasil. Alguns nem com isso poderão contar. Então, nada mais justo que os senhores parlamentares, mesmo que boa parte deles só cumpra expediente de fato de 3ª a 5ª (nos outros dias da semana estão visitando suas bases), siga o ritmo da grande maioria dos brasileiros. A justificativa de Vaccarezza para o adiantamento do recesso está no fato de que o quórum estaria baixo nesse período por conta dos jogos da Copa do Mundo. Trocando em miúdos isso significa que a medida proposta pelo líder do governo nada mais é do que uma espécie de respaldo legal para os faltosos. Afinal, alguém tem dúvidas de que a presença no Congresso em Brasília nos dias de jogos - e nem precisa ser da seleção brasileira - será próxima de zero? TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário

Edição EDIÇÃO 16967




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