O governo de Mato Grosso está realizando um primeiro seminário fechado do secretariado no Sesc Pantanal, a 140 km de Cuiabá. Na realidade, além de dar o início efetivo ao segundo mandato do governador Blairo Maggi, o encontro começa a politizar o governo que nos primeiros quatro anos teve a cintura muito dura. Independente de dar um tom mais político-partidário à gestão, o seminário tem o sentido fundamental de criar filosofias. O primeiro governo deu-se pela inércia e amarrou as suas ações principais na infra-estrutura, sem muitas amarrações de outras naturezas. O momento era muito diferente do atual. Neste segundo mandato o governador Blairo Maggi não pode mais seguir governando sem dividir espaços com os partidos políticos, porque faz parte do sistema. Mas se o governo não tiver uma filosofia bem construída, cada setor dirigido por um partido político, será um mini-governo com visão e vidas próprias. Daí a importância de um conjunto perfeitamente construído, de modo que cada partido tenha a sua margem de manobra, mas não desvirtue a gestão. É bom que se registre a extrema subjetividade da gestão partidária. Com um cargo de poder nas mãos, um dirigente obedece às diretrizes do seu partido e poderá acabar governando para si e para os interesses mais diversos possíveis. Na prática isso fatalmente resultará em desvios de conduta como a corrupção e outras ações fora do contexto da gestão. Não é o caso de tachar todos os partidos coadjuvantes de corruptos. Mas a verdade é que não se pode entregar o galinheiro para a raposa cuidar. Partido político na atualidade serve mais para si do que para a sociedade. E nesse servir-se acaba se justificando nos desvios de conduta. O maior pecado do segundo governo Maggi seria não ter um plano de contexto. Atender à infra-estrutura já não bastaria mais à sociedade de Mato Grosso, que deseja uma clareza que hoje na enxerga, na continuidade do processo administrativo e político, por exemplo. A atual gestão tem a responsabilidade, quer queira ou não, de traçar o caminho próximo. Isso implica em construir a sucessão do governador, em amarrar os planos fundamentais da gestão e do desenvolvimento sócio-econômico no presente e deixar traçado o futuro. Isso é muita coisa. Se não for feito, o governador entregará a um sucessor casual, um estado casual e sem estratégias. Se isso acontecer, de nada terá valido a ruptura de sistema havida na eleição de 2002. Pode ser que o governador Blairo Maggi retorne hoje a Cuiabá com um discurso de unidade administrativa. Não basta. É preciso que ele traga um estratégia de gestão do segundo mandato, que implique em planos de realizações e de gestão administativa. Mas que somem um plano filosófico da gestão. Por filosofia entenda-se princípios fundamentais de governo que se embutem dentro de uma ação política. Por ação política entenda-se uma visão filosófica do governo dirigida à sociedade que o elege e mantém. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
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