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ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010, 10h:28

KLEBER LIMA

Filme triste

Alguém deve ter enterrado uma cabeça de burro sob a sede do PDT de Mato Grosso. O partido não acontece nunca. Alguns diriam que a culpa é do ex-eterno presidente da sigla em Mato Grosso, Mário Márcio Torres, como muitos fazem sobre Carlos Orione em relação a Federação Mato-grossense de Futebol. Ocorre que, no caso do PDT, já defenestraram com o Mário Márcio há algum tempo, e o partido ainda patina na mesma lama dos interesses pessoais em detrimento dos ideários trabalhistas preconizados por Leonel Brizola.O partido viveu bons tempos em Mato Grosso, em especial na época em que o saudoso Dante de Oliveira levou seu grupo para a legenda. Com a saída de Dante para o PSDB, o PDT entrou numa espiral ao contrário, e nunca mais conseguiu se aprumar. Veja-se o que acontece no momento presente com a legenda: de um lado, o presidente estadual Otaviano Pivetta namora com Mauro Mendes, acenando para um apoio incondicional à sua candidatura ao Governo, caso ela ocorra, mas, por outro, o municipal – sem Mário Márcio no comando, ressalte-se, expõe da maneira mais vexatória as vísceras do partido, com seus “três” vereadores se digladiando em público para ver qual dos três consegue cavar mais espaços no governo do tucano Wilson Santos. Não haveria nenhum problema nisso, caso Santos não fosse, com mais consistência, também pré-candidato a governador do Estado esse ano. E ainda tem um agravante nesse imbróglio: o PDT nacional está a cada dia mais próximo do projeto da candidatura da ministra Dilma Roussef, uma vez que possui até ministério no governo do presidente Lula. E daí, pergunta-se a sociedade, em qual apito, afinal, vai tocar o PDT de Mato Grosso: vai Mauro Mendes, como quer seu presidente estadual Otaviano Pivetta; vai de Wilson Santos, como querem seus “três” vereadores; ou vai de Silval Barbosa, o candidato da coalizão governista nacional, como quer sua direção nacional, em especial o ministro Carlos Luppi? Na verdade, o PDT demonstra com esse balaio de gatos em que se tornou que ideologia e coerência política não são seus guias nessas eleições. A briga dos “três” vereadores é reveladora de que os interesses pessoais, comezinhos, menores, privados, podem estar se sobrepondo aos interesses do coletivo partidário. Se quer mesmo ir com o Mauro Mendes, o PDT precisa entregar os cargos que ocupa na prefeitura de Cuiabá e alinhar-se à oposição. Mas, antes, precisa também obter, e tornar pública, uma autorização do Diretório Nacional. Se quer ir com Wilson Santos, então precisa obter e revelar a mesma autorização do Carlos Luppi, e ao mesmo tempo jogar limpo com o Mauro Mendes - que a essa altura do campeonato, depois da bola nas costas que levou do PPS – já deve estar meio desconfiado com seus parceiros partidários. Mas, se vai com Silval Barbosa, e os dois casos anteriores forem somente firulas para valorizar seu passe na negociação com o Paiaguás, daí o partido corre o sério risco de perder de vez o pouco de credibilidade que ainda lhe resta perante a opinião pública. P.S: Algo parecido pode ser cobrado do PCdoB. O partido trouxe aqui um dirigente nacional, se reuniram com o Silval Barbosa, o presidente regional da legenda, Miranda Muniz, publicou artigo na imprensa local justificando porque os comunistas iriam de Silval, mas não entregou os cargos que possuem na prefeitura municipal, e ainda participam das reuniões da chamada frentinha que ensaia o nome de Mauro Mendes. A história poderá ser muito severa com partidos que se movem apenas de acordo com o movimento das ondas conjunturais ou, o que seria pior, apenas em função dos cargos que ocupam nos governos e/ou aqueles que lhe são oferecidos. * KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso [email protected].

Edição EDIÇÃO 16962




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