Quando a gente tenta comprar um equipamento no exterior e diz que é para o âmbito da defesa, eles negam. (Capitão de mar e guerra André Luis Marques, falando do bloqueio tecnológico internacional) Pouco relevo foi dado, na mídia, a uma revelação recente acerca de um feito tecnológico, de magna expressão, operado por brasileiros. Ei-lo: nosso país está na bica dominar por inteiro o ciclo nuclear em escala industrial. Ainda neste ano da graça de 2010, com a inauguração da primeira fase da Usina Hexafluoreto de Urânio (Usexa), plantada no Centro Tecnológico da Marinha, complexo militar de Anamar, Iperó, São Paulo, o Brasil passará a atuar em todas as etapas do beneficiamento do urânio, da extração à fabricação de combustível nuclear. Uma conquista notável, de molde a assegurar a absoluta autonomia brasileira no processo de enriquecimento do mineral radioativo. Ficaremos libertos de quaisquer amarras ou dependências externas no que concerne ao atendimento das necessidades operacionais das usinas nucleares já existentes ou por serem implantadas em nosso território. E estaremos, também, resguardados quanto aos suprimentos para mover o submarino nuclear programado pela Marinha a entrar em operação dentro em breve. Esse submarino representa marco importantíssimo em nossa política de defesa. A unidade de Iperó processará, já no ano de 2011, o chamado yellow cake. Segundo afiança o coordenador do Programa de Propulsão Nuclear da Marinha, capitão de mar e guerra André Luiz Marques, o Brasil ingressará, a partir daí, no rol dos poucos países com capacidade para converter o yellow cake em gás. O bloqueio tecnológico, como tantas vezes já se frisou, é barra no plano internacional. É imposto pelas grandes potências com o fito de impedir o acesso dos países em desenvolvimento à exploração em amplitude dos recursos nucleares - mesmo com propósitos pacíficos, como se trata rigorosamente de nosso caso. Premidos por circunstâncias que tais, cientistas e técnicos brasileiros empenharam-se, anos a fio, na descoberta de um eficaz sistema de tecnologia estritamente nacional para chegar aos objetivos colimados. Foram bem sucedidos na empreitada, como se comprova agora. Na avaliação dos estudiosos em política nuclear, o esplendido feito tecnológico confere ao Brasil maior projeção no mapa geopolítico. Fortalece até mesmo sua postulação, acolhida com simpatia em todos os continentes, quanto a vir a ocupar vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Aumenta seu cacife nas mesas das conversações internacionais. Gera, por outro lado, à conta da costumeira má vontade de setores sempre inconformados com relação ao ritmo expressivo de nosso crescimento, interpretações as mais capciosas quanto aos verdadeiros objetivos do programa. É o que se observou, dias atrás, por sinal, em registros da imprensa alemã. Andou-se insinuando que o Brasil estaria desenvolvendo, no complexo de Iperó, projeto secreto visando a utilização dos conhecimentos adquiridos na esfera nuclear para fins de fabricação de bombas. A rede de intrigas posta a funcionar fornece indicação de que a autossuficiência tecnológica brasileira incomoda. E como! No que nos diz respeito, especificamente, aos brasileiros, o bom mesmo é saber que, também na faixa científica e da tecnologia de ponta, o Brasil experimenta, num período marcado por triunfais intervenções no palco mundial, levadas avante pela conjugação de vontades de todos os segmentos representativos da nação, um outro avanço extraordinário, digno de celebrações. Ele deriva do engenho, do trabalho e da criatividade de competentes cientistas e técnicos, nossos compatriotas, engajados no trabalho patrocinado pela Marinha. * CESAR VANUCCI é jornalista (
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