Hoje é muito estranho denominar de oposição os grandes partidos políticos do passado bem recente que sempre foram situação. Mais ou menos como os mais antigos se acostumaram com o PSD, aquele verdadeiro que o movimento de 64 destruiu para sempre junto com a UDN que orientou Jânio e descobriu que ele era o que foi. Dez mil anos como eterna oposição e, quando conquistou o poder, a UDN não o saboreou porque Jânio foi aquele que Araci de Almeida definiu como aquele que não resta a menor dúvida. Com o movimento civil de 64 auxiliado pelos militares e da igreja que se tornara, de uma hora para outra de extrema direita, tornou-se apenas militar, fechando o congresso nacional, amordaçando o poder judiciário, cassando os executivos e impondo censura grave na imprensa dos versos de Camões, das receitas de bolo e das tarjas censurado que era moda antiga e que até hoje é copiada por neófitos à procura de notoriedade. Séculos de Hay gobierno, yo soy dentro o en la cima, siempre a favor. O PSD, PTB, PSP, do Adhemar de Barros, fizeram a história do Brasil. Com o movimento que se tornou golpe dos quartéis, na verdade tal golpe fora idealizado por três generais cinco estrelas que também queriam aposentar-se como presidentes da nação, as associações jamais partidos - Arena e MDB foram esfarinhando-se até se transformarem em partidos. O MDB passou a denominar-se PMDB e deu no que deu. A Arena que sempre se nos pareceu um cenário de touradas em Madri do filme Sangue e Areia explodiu de vez em vários partidos nanicos e de aluguéis. Mas, sempre no poder. Oposição, portanto, para nós sempre foram a UDN e, depois, o embrulho do PMDB, do Ulisses Guimarães que possui até hoje uma mistura braba de comunistas, socialistas, ambientalistas, a igreja que retornou para os espremidos, moradores de rua, doentes, MST, ONGs, comunistas, direitos humanos dos animais e até dos cientistas do mundo travestidos em missionárias, paranormais, pastores, catequizadores de índios... Tanto é que todas as tribos indígenas da Amazônia brasileira falam algumas línguas, além da própria, como a inglesa e francesa. Não falam o português. Possuem microcomputadores, parabólicas, TVs por assinatura e dançam tango no meio da taba completamente nus, para a alegrias dos cantores americanos Stings e as moças desesperadas da Europa, encantadas por ver homens nus, no caso índios. Elas se transformam em evangélicas e fazem o supremo sacrifício de também tirarem completamente as roupas para dançarem com os jovens caciques o tango Carlos Gardel argentino, é claro! Todo mundo nu ao som MP3 do Home Theater da Pionner. Sob a luz do luar de nossa mágica selva que reflete a placa com os dizeres de sempre: É proibida a entrada de cães e brasileiros. Hoje, nenhum brasileiro consegue andar em sua própria Amazônia inteira. Só se falar inglês corretamente. O que reflete que tivemos progresso como o militarismo de 64. Só o preço que foi e está sendo muito alto. Para cada investimento feito na época dos milagres ninguém discute isso houve submissão e entrega de bens pátrios, pois não acredito em incapacidade dos ditadores da época. Hoje, centenas de e-mails forram nossas mesas de trabalho com denúncias contra a candidata Dilma, porém, estranhamente, o próprio candidato do PSDB não emite um pio sequer sobre tudo isso. Sobre todos eles. Significa uma das duas coisas: ou é tudo mentira safada, covarde ou o Serra é mesmo um dos maiores incompetentes que já passou na face da Terra. Os dois significados acabam de edificar uma vítima que é a própria candidata. O feitiço virou contra o feiticeiro. O povo não aceita mais essa maldade, com a bonita e linda, com todo o respeito, nova namoradinha do Brasil, Dilma Roussef, construída nos laboratórios plásticos e na campanha tucana do Brasil que a transformou em vítima, repito. Serra, além de feio, virou isso aí. Acho mesmo que a antiga Arena e depois PFL e agora DEM, o PSDB, os partidos cristãos entre outros, ainda não conseguiram ou não tiveram capacidade/competência para se ajeitarem nas cadeiras duras de oposição. Pensam e sonham que ainda são poderosos situacionistas da eternidade que já acabou. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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