A passagem do papa Francisco pelo Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude, teve momentos marcados de muita emoção. O jeito simples, o carisma, a alegria, simpatia e a franqueza do líder maior da igreja católica, que não se esquivou de falar das questões sociais e do descaso dos políticos em relação aos mais carentes, com certeza vão permanecer na lembrança daqueles que acompanharam, de perto ou à distância, a visita do santo padre, independente da religião que praticam. O recado de Francisco aos que estão no poder foi simples e direto, lembrando que ninguém pode permanecer insensível às desigualdades. Cada um, na medida de suas possibilidades deve saber dar sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais, o que significa que o governo deve cumprir seu papel, sem meias-medidas e sem criar falsas expectativas. O governo, aliás, bem que tentou politizar a visita do papa. A presidente Dilma Rousseff não perdeu a chance de, no primeiro discurso, tentar absorver para si e seus aliados políticos a boa atmosfera da visita papal, com um pronunciamento de exaltação aos feitos do governo federal aos quais buscou também associar ações da Igreja. Lamentável! Não era hora, nem lugar. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo. Por várias vezes o papa Francisco se manifestou dessa forma, ressaltando seu despojamento da materialidade, que já é de conhecimento de todos. E enquanto o papa dispensou privilégios em sua viagem, sem hospedagem de luxo, banquetes, carro blindado e outras coisas mais, nossas autoridades se mantiveram encasteladas com suas mordomias de sempre. Voos fretados, segurança redobrada, e todo o aparato que os mantém distante do povo. Deveriam aprender com o santo padre, pois os brasileiros já estão cansados deste tipo de atitude. Para muitos políticos a humildade só se faz presente em tempo de campanha, quando se predispõem a visitar as áreas mais carentes para distribuir tapinhas nas costas e beijar as criancinhas, em busca de votos. Depois de eleitos esquecem não apenas as promessas, mas principalmente o eleitor. Que a atitude de sua santidade os faça refletir, até porque o movimento das ruas ainda não arrefeceu. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário
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