NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011, 21h:23

LEVI MACHADO DE OLIVEIRA

Fatos ou versões

Acreditava um poderoso ministro alemão, da era nazista, que a verdade é uma quimera. Não importa o fato, importa a versão daquilo que se quer difundir. Desde que possa ser manipulada e repetida até exaurir possíveis contestações, qualquer mentira será aceita como verdade absoluta. Disso também sabia o primeiro César, na antiga Roma, 50 ou 60 anos antes de Cristo. Para desvencilhar-se da mulher decidiu que importante é o que parece ser. Como na peça inspirada em Pirandello, assim é se lhe parece. Dia desses uma reluzente comentarista de tv, rádio e jornal – das mais, senão a mais conhecida – lançou no ar, via rádio, uma pérola: disse que a gasolina no Brasil é a mais barata do mundo. Absurdo, claro. Mas ela fez essa afirmação estapafúrdia apenas para enfatizar sua crítica a uma suposta ou real intervenção do governo na política de preços da Petrobras para impedir aumentos. Como se julga portadora da verdade ousou desprezar a inteligência dos seus ouvintes, com a certeza de que aqueles poucos mais informados não teriam espaço para contestação. Outro que também pisou na bola, em recente manifestação, foi o ministro da Justiça. Ao lançar mais uma campanha de desarmamento, afirmou que 80% dos homicídios com arma de fogo no Brasil são praticados com armas adquiridas legalmente. Só não disse o que de fato interessa. Poderia ter dito que 94% dos assassinatos praticados não chegam a ser apurados. Para concluir que, historicamente, o Estado pouco se importa com os delitos de homicídio – o mais terrível de todos. E ainda que, quando se trata de crime praticado com arma registrada o índice de identificação de autoria é da ordem de 80%. Nos Estados Unidos, onde o comércio de armas é livre, 98% desses crimes tem autoria determinada. Na Suíça, onde homicídios são raros, também são raros os indivíduos que não possuem arma de fogo. Ninguém passa recibo nem se preocupa em esclarecer contradições. Interessa apenas aquilo que se quer passar ao público, de acordo com os interesses, publicáveis ou não, do informante. Nos idos de agosto de 2008, por exemplo, o índice BOVESPA estava batendo nos 73.000 pontos. Um analista de mercado, no mesmo veículo em que atua aquela reluzente comentarista, apregoava que era o momento de investir, que a Bolsa estava muito abaixo do seu teto. Deu no que deu. Não mais de três meses depois, com o mesmo índice ameaçando baixar dos 30.000 pontos, um outro especialista no mesmo seguimento, no mesmo horário inclusive, dizia exatamente o oposto: que não era hora de investir, porque o fundo do poço poderia estar bem mais em baixo. E daí! Dane-se a platéia. Na guerra, a verdade é sempre a primeira vítima. Isso foi dito por um senador americano há quase cem anos. Retrata muito bem o enredo orquestrado em torno da Al Qaeda e do seu suposto criador. A começar pela origem e rumos da organização. Osama bin Laden, de fiel aliado teria passado a feroz inimigo e criado a tal organização terrorista para combater os americanos, por estes terem ocupado bases militares na sua pátria, a Arábia Saudita. A tese é ridícula. Tio Sam está por lá desde antes de Osama nascer. Então por que não se revoltou o dito contra a monarquia saudita, que autoriza essa ocupação? Seria infinitamente mais fácil e lógico detonar o governo saudita do que implodir o império americano. Ou não? Agora, com todo o aparato midiático que possui, a América anuncia ao mundo que foi lá e fuzilou o arquiinimigo, mas não consegue fazer o óbvio, o mais esperado desde o fatídico 11 de Setembro – mostrar a imagem do homem no instante decisivo, vivo ou morto. Será por que? Seus herois não estavam gravando tudo em tempo real?! *LEVI MACHADO DE OLIVEIRA é advogado

Edição EDIÇÃO 16969




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL