ARTIGO
Terça-feira, 30 de Julho de 2013, 21h:12
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GABRIEL NOVIS NEVES
Esperança
Mesmo com o papa Francisco pedindo aos brasileiros que não percam as esperanças e lutem por elas, aqui no nosso rico Estado está cada vez mais difícil mantê-las. Cada ato governamental para preenchimento de importantes e estratégicos cargos públicos, ao tomarmos conhecimentos pelos jornais das escolhas do nosso governador, é mais um golpe duro nessa tal da esperança. Afinal, o que significa esse mágico substantivo feminino tão incorporado à nossa cultura? Segundo o Houaiss, no seu mini Dicionário da Língua Portuguesa, esperança é um sentimento de que aquilo que se deseja é possível. Confiança. Fé. Foi exatamente isso que a nossa gente, especialmente a mais humilde, perdeu. Sabemos que um povo não pode viver sem esperanças, e temos que fazer de tudo para revertemos esse quadro maligno de grande poder de destruição dos nossos verdadeiros valores de vida. A esperança desaparece pela ganância do poder pelo poder, das pratas e ouros. Os nossos valores imateriais conquistados no berço, são invalidados pelo ter, e não, pelo ser. A nação torna-se fragilizada, sujeita às intempéries e o seu povo apático. Rui Barbosa já reclamava das inutilidades triunfando na sua Oração aos Moços. Nunca foi levado a sério e, por duas vezes, foi reprovado pelas inutilidades para governar esta nação. As inutilidades, tal pragas, reproduzem-se com extrema facilidade em campo sem esperança. As últimas decisões tomadas pelo nosso educado governador são de fazer, os ainda otimistas existentes neste Estado, a abandonar essa postura. Isso considero perder as esperanças por transformações tão reclamadas pelos ordeiros protestos das ruas. As ruas das cidades mato-grossenses também falam, mas não são ouvidas. Essa absurda falta de sensibilidade política constitui o poderoso fermento para o recrudescimento dos protestos, reforçados por pacíficos participantes dos movimentos de ruas, treinados para tratar da surdez de alguns políticos com poder de decisão. Com a abundância da nossa flora medicamentosa tenho até a impressão que alguns políticos estão sob os efeitos alucinógenos das nossas plantas medicinais. Estão vivendo no mundo da lua à procura do Nirvana. O papa Francisco, na sua missão evangélica pelo nosso país, com muita cautela tem sido explícito ao incentivar os jovens a apoiar os protestos de rua visando justiça social. Tem também chamado a atenção da juventude para a demagogia política que se aproveita dos mais desafortunados, como fez na favela de Varginha do Complexo de Manguinhos no Rio de Janeiro durante a sua estada naquele local de desassistidos. Explicou aos moradores que o que o governo precisa fazer é a inclusão social daquela comunidade, e não, a pacificação, sempre transitória. Condenou o grande mal que assola este país, que é a corrupção. Essas sábias palavras podem perfeitamente ser transplantadas para o nosso Estado, afetado por esses mesmos males. O nosso Mato Grosso parece um barco desgovernado e à deriva. Urge que todos nós façamos a nossa tarefa de casa, baseada no bem-estar da população, especialmente para a mais humilde, que é a que mais sofre. Chegamos ao limite para a politicalha que tanto mal faz ao nosso Estado e à sua população briosa e trabalhadora. O sofrimento, até então calado da nossa gente, foi o caldo de cultura para reflexões sobre o que está acontecendo, onde parece que a esperança foi ceifada pelos desacertos dos poderosos. Autoridades do meu Estado! Pensem em um pacto em benefício da nossa população que, em alerta, aguarda por esse momento. A história não perdoa os mercadores do poder, assassinos das nossas esperanças. *GABRIEL NOVIS NEVES é médico e ex-reitor da UFMT