Já que a falta de obras importantes para a Copa do Mundo que se avizinha, ou a catástrofe que abala o Japão, ou o massacre na Líbia, ou a precariedade no sistema de saúde do país todo, não são de grande importância. E já que o que de maior importância ocorreu nesse início de ano foi a inesquecível final do BBB 11, o centésimo gol do goleiro artilheiro, a aposentadoria do Fenômeno, o repatriamento do Imperador e o filosófico debate da talentosíssima Preta Gil com o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), também quero palpitar. E é nesse acalorado assunto que eu, mesmo não convidado, entrarei. Muitos já opinaram. Inclusive alegaram que essa balbúrdia tem o objetivo de fazer aparecer alguém que vive na sombra do talento inegável de sua figura paterna. Ou que o outro seria um troglodita que demonstra em suas falas o racismo, a homofobia e a sua total falta de complacência com as ideias alheias. Na minha humilde opinião, ou melhor, na minha intromissão, entendo essa discussão como desimportante. Não vejo como preconceito dizer o que se pensa. Temos o direito de gostar ou desgostar de quem quer que seja. Obrigar o outrem a ter opinião idêntica àquela que fora regulamentada seria, a meu ver, o preconceito. Não devo ser obrigado a gostar de quem pensa diferente de mim, desde que aquele não me humilhe, me agrida ou incite outros a fazê-lo. Já disseram uma vez (não me lembro quem), que a opção sexual é algo pessoal, não cabendo a qualquer outro, fora os profissionais e entendedores do assunto, debater, até porque não é algo passível de posicionamento. Agora, sejamos sensatos, o desfile anual dos homossexuais, que objetiva fazer campanha contra a homofobia, nada acrescenta, os curiosos -são quase em sua totalidade simplesmente isso -, presenciam a tudo somente como veículo de diversão e não como informação. Melhor age para mudar a consciência de muitos é o que anônimos fazem. Agem, no seu dia-a-dia, executando suas funções normalmente. Nada de alarde. Não gritam, nem forçam que os vejam como iguais, mas mostram que o são. São profissionais da mais ampla gama de segmentos e que cumprem suas funções com seriedade, integridade e rigidez de caráter. O que fazem fora disso, se não atinge os outros, não interessa ou não deveria interessar. O que falta ao ilustre deputado não é a cassação, como querem alguns, nem deixar de estar ligado ao paleolítico, como dizem outros, mas sim buscar mais informação, leitura e até parar de querer aparecer de qualquer forma ainda mais dessa que mancha sua trajetória. Diriam ainda que currículo de figuras eleitas pela população não mais tem o que sujar. A verdade é que mudanças na lei, objetivando o combate a homofobia, em nada irá alterar, vide a aclamada Lei nº. 11.340/2006 (popularmente conhecida como Lei Maria da Penha), que, apesar de vir com um objetivo importante em quase nada modificou o drama sofrido pelas mulheres. O Brasil padece de um grande mal, visto que não é nossa cultura o apego a educação. Crescemos de forma desordenada, somente indo de encontro a qualquer coisa, sem um objetivo, um fim. Muitos países destacam-se ao projetar-se na briga pelas primeiras posições das nações mais desenvolvidas, contudo com um grande incentivo a educação, tendo esta como primeiro passo de todos os outros passos. Incluindo aqui melhores condições de trabalho aos educadores, bem como melhores salários. Um grande exemplo é a Coréia do Sul que há poucos anos não passava de um país de maioria rural e nos anos 50 estava destruído por uma guerra civil que dividiu as Coréias, deixou um milhão de mortos e a maior parte da população na miséria. Um em cada três coreanos era analfabeto. Hoje, oito em cada dez chegam à universidade. *LOUREMBERGUE ALVES JÚNIOR, advogado, Diretor Jurídico da Federação Mato-grossense de Capoeira e aprendiz de poeta louremberguealvesjunior.blogspot.com
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