Está em todos os jornais de hoje. Três policiais militares da cidade de Barra do Bugres (169 km ao Norte da Capital) estão presos no 7º Batalhão da PM, em Rosário Oeste. O trio é acusado de tortura, abuso de autoridade, roubo e extorsão. A prisão preventiva foi requerida por um promotor, que certamente considera extremamente perigoso deixar três monstros como esses soltos, numa cidade onde a farda, dependendo da maneira como ela é utilizada, é sinônimo de puro terror. Os nomes das feras: Adilson Gonçalves Pires, Gilson Benedito Neves e Nilton Carlos Pereira Moreira. Consta que o cidadão Sivaldo dos Santos foi detido pelos citados policiais sob acusação de ter ligações com o narcotráfico. Nada foi provado, no entanto. Santos, pelo que se apurou no seu depoimento, foi colocado no porta-malas do carro da própria PM e levado para o mato, onde foi espancado. O pior estaria por vir, considerando, sempre segundo as informações da própria Polícia: além de serem acusados de espancar o cidadão, roubado o seu pagamento (R$ 200), os policiais exigiram os documentos da moto da vítima, como fiança que garantiria a sua liberdade. Recentemente, ao tomar conhecimento do festival de violência que um cabo vinha patrocinando na cidade de Paranatinga (360 km ao Norte de Cuiabá), o secretário de Segurança Pública, Benedito Corbelino, em tom irado, afirmou, de frente para as câmeras de TV, que na sua gestão não iria tolerar desvio de conduta de quem quer que seja no âmbito do aparelho policial. O curioso é que, quanto mais o nobre secretário promete moralizar o tal aparelho da Segurança, mais a gloriosa Polícia Militar tem a sua imagem desgastada em função dos abusos que se cometem, principalmente no Interior do Estado. Quando não participa diretamente das ações que ferem moral e fisicamente os cidadãos os contribuintes que sustentam a corporação -, alguns militares pecam pela omissão. É caso daqueles que registraram a ocorrência em que figuram como vítima uma senhora de 68 anos e como agressores, dois rapazes de classe média, que costumam freqüentar certas colunas sociais, e que, bêbados, promoveram um festival de arruaça, no final da semana que passou, agredindo mulheres e crianças indefesas. Os PMs são acusados de omitir os nomes e as identidades dos vândalos, bem como as placas dos veículos que ele conduzia. Pelo que se lê nas folhas, o fato de um dos rapazes ter afirmado que era filho de um juiz, ao que parece, foi o bastante para que os policiais fizessem de conta que o vandalismo não passou de uma simples brincadeira. Se houver alguém de coragem na cúpula da Segurança, com certeza, esse caso será investigado em toda a sua profundidade e os policiais militares, punidos pela omissão. Quanto aos vândalos, vale lembrar que parece ser costume, em alguns setores da Polícia, não se tocar em filhinhos de papai. ANTONIO DE SOUZA é editor-executivo do DIÁRIO.
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