Assim como certos técnicos de futebol que nunca jogaram bola (ou quando jogaram não se destacavam pelo primor técnico e habilidade em campo), mas dirigem equipes com soberba profissional e ares de sabe-tudo, na mesma linha também age a quase totalidade dos ditos comentaristas esportivos quando se metem a dar pitacos em programas radiofônicos ou nas ditas mesas-redondas da TV. Acho esse tipo de programa o máximo, em termos de humor (a incoerência quando extrapola fica engraçada), é claro. Principalmente quando conta com a participação, como convidado, de um jogador literalmente, posto na roda para ser o bobo -, com aquela cara de sonso da corte, típica de personagem boleiro do bom Chico Anísio, mudo o tempo todo e só balançando a cabeça, feito vaquinha de presépio, quando um dos bambans lhe dirige alguma pergunta. Pior, se sujeitando a ficar em situação constrangedora por ter que ouvir, às vezes, críticas dirigidas a ele ou a seus colegas. Sobretudo vindas de pernas-de-pau ruins de cabeça, inclusive. Só cabeça-de-bagre, sem senso do ridículo, para se expor dessa forma! Nesse rol de palpiteiros e técnicos de futebol sempre de plantão, dispostos inclusive a fazer valer suas opiniões na porrada, se preciso for, o Brasil é imensamente rico: somos milhões e milhões em ação, neste domingo mesmo, trabalhando incansavelmente nas mesas de bares e botecos ou beira de campos pelo país afora. Discussão que avança e prospera em locais menos indicados, como salas de cirurgia (depois eu conto essa) de prontos-socorros e hospitais públicos, onde as pessoas estão ali (salvo, é óbvio, quem está sendo "esquartejado") supostamente para defender o chamado leite das crianças e não para dar palpites sobre Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Vasco ou qualquer outro time, discordar sobre suas escalações e esquemas táticos. Ou xingar a mãe do juiz mais do que a infeliz velha foi difamada pelas torcidas raivosas nos estádios. Muito possivelmente, o próprio e distinto leitor que me honra com a atenção dada a estas despretensiosas linhas domingueiras, se ainda não está envolvido até o gorgomilho numa dessas discussões, tenho certeza de que em algum ou mais dias já deu sua valiosa contribuição numa dessas rodas que se formam para debater o assunto aliás, que poderia ser mais sério, se não fossem as muitas denúncias que, ultimamente, nessa onda - e tomara não seja passageira - de passar o Brasil a limpo, trazem nomes de cartolas e juízes de futebol envolvidos em escândalos e malfeitorias. Por sinal, um motivo a mais para aumentar a sua indignação nas vezes em que se envereda pelo tema. Provocando a já clássica exclamação: Esse país não tem jeito mesmo!. Ao que seu colega (espero que não seja o da mesa ao lado do seu local de trabalho ou no andaime da construção), mas durante descontraídos chopinhos ou daquela pinguinha amiga, nos momentos de folga, retruca, mais indignado: Não bastava os políticos para meter a mão, agora tem mais essa!. Vôte!, exclamo eu, porém de alegria, por ter chegado ao fim desta coluna. Pronto também para dar meus pitacos na primeira roda que encontrar pela frente... Mário Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br. E-mail:
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