O domingo 17 de abril de 2016 ficará marcado na história política do nosso país, como o dia e noite da vitória do povo brasileiro, que, sistematicamente, vem fazendo manifestações ordeiras e pacíficas nas ruas brasileiras, pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), baseado principalmente, na edição de seis decretos de abertura de créditos suplementares no valor de R$ 2,5 bilhões em desacordo com a legislação orçamentária, cometendo assim, crime de responsabilidade. Este tipo de crime, como sustentam os denunciantes, pode ser configurado também pelo descumprimento do artigo 4º da Lei 12.592 de 2014 (Lei Orçamentária Anual - LOA), que determinou que a abertura de créditos suplementares (ou adicionais) estava condicionado ao alcance da meta de resultado primário (poupança) estabelecida; isto, na verdade, representa apenas a ponta do iceberg. A votação histórica na Câmara dos Deputados culminou com 367 votos favoráveis ao impeachment e 137 contrários, às 23h47 deste domingo (17). A autorização para ter prosseguimento no Senado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff teve sete abstenções e somente dois ausentes por motivo justíssimo, dentre os 513 deputados. A sessão durou 9 horas e 47 minutos; a votação durou seis horas e dois minutos. Às 23h08, pouco mais de 40 minutos antes do fim da sessão, o voto do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) tornou-se histórico ao completar os 342 votos necessários para a atualização do processo. Daí por diante só foi festa. Amazonas e Rondônia, com 100% dos votos favoráveis ao impeachment; em apenas três estados a presidente conseguiu vencer: Bahia, Amapá e Ceará. Mato Grosso saiu deu bem na votação: seis deputados votaram sim e vamos nominá-los: Tampinha, que é suplente e está interinamente na vaga de Ezequiel Fonseca (PP), Adilton Sachetti (PSB), Fábio Garcia (PSB), Nilson Leitão (PSDB), Victorio Galli (PSC) e Carlos Bezerra (PMDB) votaram pelo sim. O deputado Ságuas Moraes (PT), que tem uma ligação histórica com o Partido dos Trabalhadores (PT), deve ter votado movido pela ideologia partidária. O voto destoante, por certo, ficou por conta do deputado Valtenir Pereira (PMDB), que votou não pelo impeachment. O deputado Valtenir Pereira (PMDB), em sua trajetória de vida, ainda quando criança seu pai foi assassinado na cidade de Juscimeira, envolvendo questões políticas. Ele estuda, torna-se advogado e, posteriormente, defensor público. Isso foi decisivo para que a Justiça fosse aplicada, na morte do seu pai. O mesmo ingressa na política, usando como bandeira de luta o fatídico e trágico acontecimento, que vitimou seu pai, com uma morte trágica e sórdida. Agora, no momento de fazer história votando pelo sim, filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), coincidentemente, o mesmo partido a que pertence o algoz do seu pai, a pessoa que talvez tenha causado a maior dor em sua vida, o conhecido Zé Guia, inesperadamente o mesmo vota pelo não, usando como justificativa que estaria votando de acordo com a ordem jurídica e disse que, futuramente, caso entre em votação o afastamento do vice-presidente Michel Temer (PMDB), com as mesmas denúncias contra Dilma, irá votar contra. Será que votaria mesmo? Pare o mundo, quero descer! * LICIO ANTONIO MALHEIROS é geógrafo
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