No carnaval passado, ao retornar em casa percebi que algo estranho acontecera. Tudo meio fora do lugar e papéis pelo chão da casa. Casa de jornalista é assim mesmo, totalmente vazia e desarrumada a ponto de qualquer ladrão, ao tentar procurar algo, naquele desespero pela pressa, naquele tira-põe, abre-fecha, faz com que tudo fique melhor ajeitado do que estava antes. Resolvi comprar um sistema de segurança que várias firmas daqui vivem anunciando. No dia seguinte, naquele dia 23, segunda-feira, daquele fevereiro do carnaval passado, comecei a peregrinação da grande farsa que existe por aqui sobre segurança moderna em Cuiabá. Afinal, eu estou em Cuiabá, capital dos escândalos e crimes financeiros do PAC da Dilma Rouseff que é a futura presidente do Brasil. De lá para cá, desnecessário registrar tudo sobre o número de firmas, empresas especializadas de segurança residencial, astronautas, engenheiros do congresso nacional dos escândalos daqui, da NASA cuiabana, invioláveis atentados à segurança nacional, gozadores do além, membros do esquadrão de ouro das denúncias federais e dos ministérios públicos federal e estadual. Ninguém em Cuiabá sabe como se instala isso tudo. E como trazer um técnico de SP ou de outro lugar fica caro, há uma fantasia de instalações de cercas eletrônicas, câmeras falsas, apitos desnecessários, que apenas possuem um mero detalhe que poucos sabem: NADA FUNCIONA aqui. Cuiabá é uma ilha de ilusões de seguranças, mas de verdadeiros escândalos, cercada de bandidos por todos os lados. Somente agora, meses de angústia e de tempo perdido para nada, cheguei à conclusão que os bandidos tanto nos ensinam. Tudo é de araque. Ninguém sabe porra alguma sobre câmeras de segurança em Cuiabá. Eu sou o exemplo vivo dessa peregrinação do nada. Eu mesmo tinha instaladas, por curiosidade pessoal, quatro câmeras através de um Seqüencial de Vídeos numa TV velha, mas que funcionava somente tudo. O gasto fora de cento e cinqüenta reais das câmeras, cinqüenta reais dos fios e quarenta e nove reais do seqüencial, também comprado numa eletrônica paulista daqui. Porém essas firmas daqui em que eu cai destruíram todas as imagens que eu já tinha e até o porteiro eletrônico de cem reais que nada tinha com isso. Perdi tudo o que era barato e me fizeram uma proposta todas as catorze empresas de segurança daqui para comprar deles as câmeras mais o seqüenciador deles e os cabos deles, mais um micro computador deles e uma tal de placa de vídeo deles apelidada de geovision que é a única que todos daqui de Cuiabá entendem e até fizeram um curso sobre ela e que é a única que sabem instalar. Interessante. Se comprar dos outros, está ferrado para sempre. Ora, daqueles duzentos e cinqüenta reais que eu mesmo havia instalado e que eles destruíram totalmente afirmando que tudo se queimou pelo destino eletrônico, eu teria que dispor, agora, de dez mil reais por causa dos serviços técnicos... Tudo só deles. Na minha testa deve ter uma luzinha verde piscando com a palavra otário... Dispensei todos no dia de ontem e joguei tudo fora com os fios. Agora, sem essas parafernálias das mentiras daqui, comprei dois cachorrões e contratei dois seguranças externos. E ainda deixei recado aos bandidos que tenho a certeza de que, mesmo assim entrarão, de que deixo sempre cem reais debaixo da geladeira e peço que arrumem a casa como da outra vez que tentaram roubar algo lá. Sai bem mais barato. Para ambos. * PAULO ZAVIASKY não conseguiu ter câmeras de segurança em sua casa em Cuiabá
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