O estoque de crédito no Brasil alcançou em 2010 a 46,6% do PIB, ou R$ 1,704 trilhão. Em 2003 este índice era de apenas 24% do PIB. Em conseqüência desta extraordinária evolução do crédito, financiamentos com cartões de crédito movimentaram em 2010 a soma de R$ 650 bilhões. A previsão de número de cartões de crédito em poder da população para 2011, é que chegue a 700 milhões de unidades. Ou, 3,68 cartões por habitante. A expectativa é que ao longo deste ano sejam feitas mais de 800 bilhões de transações. Não é fantástico?! Deste total 260 milhões de cartões são emitidos por lojas e redes de varejo. A estimativa dos especialistas é que em 2011, a família brasileira utilizará cartão de crédito em 26% de seus pagamentos. Em 2010 foi de 24%, e em 2008, 20,7%. Nos EUA este índice é de 44%. Segundo analistas, o mercado de cartões deve ganhar uma dinâmica maior neste ano, por conta da chegada da bandeira Elo, criada pelo Banco do Brasil e pelo Bradesco. Sendo que a Caixa Econômica Federal, também irá emitir esta marca, mas somente para baixa renda. É bom frisar que 56% da massa salarial está contida nas classes C, D, E, e estes detém 45% do total de cartões. A classe C, movimenta com salários, benefícios e crédito R$ 880 bilhões por ano. E a classe B, deve receber mais seis milhões de consumidores em 2011. Para explicar esta pujança no consumo interno, entre 2003 e 2009, a renda do brasileiro cresceu 3,8% ao ano. Já entre os mais pobres o crescimento foi duas vezes maior. Logicamente que a desigualdade de renda ainda é grande no País. Os mais pobres se apoderam de apenas 1,1% das nossas riquezas. Enquanto que os 10% mais ricos, detém 43% da renda nacional. No Canadá, por exemplo: essa proporção é de 2,6% e 24,8%, respectivamente. Como curiosidade, em 2009 em média cada brasileiro fez 25,5 transações com cartão. Nos Estados Unidos esse número salta para 124, e na França, de 95. Apesar da expectativa de um PIB menor em 2011, talvez de 4,5% contra 7,5% em 2010, mais brasileiros devem ascender da classe E, D, para C, e B. E a oferta de novos empregos deve crescer bem, talvez com incremento de mais de dois milhões de postos. Com isso, teremos mais um ano de bom ritmo do consumo interno, mesmo sabendo que os reajustes salariais acima da inflação serão menores. Mas por outro lado, pela falta de mão-de-obra especializada, a rotatividade de emprego pode ser maior, beneficiando o trabalhador com propostas mais vantajosas. Voltando ao universo do cartão de crédito, é bom lembrar que o seu uso sem planejamento pode gerar muita dor de cabeça para o consumidor. A facilidade de transformar através deste pedaço de plástico o mundo encantado de cada vez consumir mais, pode acarretar o descontrole orçamentário. O que gera inadimplência, que já preocupa bancos e financeiras devido ao acumulo exagerado de compras. Planejar e não gastar de forma improdutiva como faz o governo é o caminho para um sono tranquilo. E poupar, gerando reservas para possíveis eventualidades, é mais inteligente. * PAULO PANOSSIAN é jornalista
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