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ARTIGO
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013, 20h:44

RODRIGO VARGAS

DE VOLTA PARA O FUTURO

Há quem diga que os sociólogos, arqueólogos e historiadores do futuro não irão mais se embrenhar por cavernas, ruínas poeirentas ou arquivos de bibliotecas e arcaicos microfilmes. Em vez disso, a busca pela compreensão do passado da humanidade se dará nos arquivos da internet: posts, fotos, comentários, notícias, vídeos e ilustrações digitais. No caso dos governos, serão objetos de análise não apenas as notícias produzidas pela imprensa, mas também o extenso material elaborado por suas assessorias de imprensa. Pois se, daqui a algumas décadas, algum estudioso quiser recuperar o que foi o projeto da Copa do Mundo em Cuiabá, não poderá deixar de se debruçar sobre os arquivos digitais da Secretaria de Comunicação. Mesmo leigo, e com o objeto de estudo em andamento, não perco a chance de fazer minhas "escavações", e garanto que a experiência costuma ser muito educativa. Do tom triunfalista de 2009 ao registro seco, quase relatorial, das últimas notas sobre o (des)andamento das obras, um universo de afirmações desencontradas, contradições e promessas mais tarde abandonadas se descortina. Tome o exemplo das obras previstas como legado da segurança pública. Foram todas engavetadas sob o argumento de que, enfim, não eram tão necessárias assim. Meses atrás, porém, os investimentos eram descritos como "exigências da Fifa". No episódio da tragicômica tentativa comprar caríssimas traquitanas russas equipadas em Land Rovers, o investimento na proteção das fronteiras, à época apontado como fundamental, desaparece do noticiário sem deixar rastro. Está tudo lá, registrado para a posteridade. As declarações a favor do BRT e, depois, do VLT. As promessas de entrega de obras e, meses depois, o anúncio de "aditivos ao cronograma". O teleférico que ninguém sabe, ninguém viu. Enquanto acompanhamos a redução gradual das expectativas para o evento, é importante seguir atento ao que dizem atualmente as autoridades sobre prazos, avanços e anúncios de um legado positivo no pós-Copa. E lembrar que, num passado recente, “garantias” verbais enfáticas dadas por governantes e gestores do projeto da Copa do Mundo se desmancharam no tempo. Se ocorreu antes, por que não poderia ocorrer de novo? RODRIGO VARGAS é repórter do DIÁRIO ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16967




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