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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 09 de Abril de 2011, 13h:51

EDUARDO GOMES

De mestres

Feliz é o povo que não precisa de heróis. Mais feliz ainda é quem os tem quando necessário. O Brasil enlutado choraria ainda muito mais se o 3º sargento Márcio Alexandre Alves da Polícia Militar do Rio de Janeiro não tivesse efetuado disparo certeiro na desqualificada figura que matou e feriu adolescentes na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio. A chacina seria de proporções ainda mais trágicas, porque no momento em que o sargento Alves disparou o bandido tinha farta munição em seu poder. Quantos alunos ainda seriam assassinados, morreriam pisoteados na fuga ou atropelados na correria fugindo da mira da arma? Ninguém tem resposta a esse questionamento. Todos, no entanto, sabem que o insano ataque cessou pela ação profissional precisa de um policial militar cujo nome não se apagará da memória nacional. A chacina em Realengo foi perpetrada com uma arma de fogo, mas a ferramenta mortífera poderia ser qualquer outra dentro ou nas imediações da escola. Um carro lançado contra estudantes. Envenenamento da água dos bebedouros. Ataque furioso com faca ou com coquetel Molotov de fabricação caseira. Quem é capaz de matar indistintamente não faz opção por essa ou aquela arma, simplesmente lança mão daquela que mais facilmente chegar às suas mãos. O Brasil não tem condições de blindar suas escolas públicas e particulares. Acho até que Ministério Público e organizações ditas de direitos humanos não aceitariam que crianças de três ou quatro anos fossem submetidas a detectores de metais por seguranças armados. Controlar a mente dos indivíduos é impossível. Porém, é possível investir na capacitação de professores para a exorcização do bullying em ambiente escolar. Projeto nesse sentido não se viabiliza da noite para o dia, mas é perfeitamente viável e imprescindível. Autoridades da Educação e Sintep (sindicato dos trabalhadores na Educação) nunca falam a mesma linguagem, mas em nome do combate ao bullying precisam desarmar o contraditório. O sangue inocente derramado, a dor, o luto e as sequelas de Realengo clamam por novo conceito na relação Estado-professor, professor-alunos e aluno-aluno. O Brasil que educa precisa aprender a ensinar além da grade curricular. É na sala de aulas que o indivíduo burila seu caráter podendo fazê-lo bom ainda que tenha índole em contrário. Realengo joga sobre os ombros do professor mais uma tarefa que somente ele é capaz de cumprir satisfatoriamente. Espero que governo e Sintep falem a mesma linguagem e confio nos nossos mestres. Eduardo Gomes é jornalista [email protected] www.mtaqui.com.br

Edição EDIÇÃO 16963




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