Quando se ouve falar em violência crescente, imediatamente fala-se na pobreza como justificativa. Mas a análise de determinados números mostra que não é bem assim. Mas não é só a violência que requer uma análise da situação sócio-econômica do maior centro urbano de Mato Grosso. Dados da pesquisa Projeto Nossa Casa 2007, realizado pela Vetor Pesquisas, em março deste ano, mostra um quadro que sugere reflexões, mas nunca um quadro de miséria. Talvez se possa dizer que Cuiabá não seja uma cidade rica. Mas é uma cidade cuja maior concentração de renda está nas classes C, D e E, com 67% da população. Na subdivisão, aí, sim, dá para se preocupar, porque 46,2% são da classe C quem ganha de 2 a 1 salários mínimos, e 13,8% das classes D e E. A classe média, chamada de B, representada por quem ganha entre 2 e 5 salários mínimos mensais é de 31,2%. A classe A, situada entre os que ganham acima de 10 salários-mínimos mensais, é de apenas 8,8%. Os dados levantados na pesquisa referem-se aos chefes de família cuiabanos, pesquisados desde 2003, pela Vetor. Foram 500 entrevistas entre 50,8% de mulheres que chefiam famílias na capital, e 49,2% de homens. Só aí já se percebe uma diferença interessante. Existem mais mulheres do que homens chefiando as famílias. Os que trabalham representam 72,6% do universo pesquisado, logo, percebe-se que o desemprego não é escandaloso. Desses empregados, 26,8% têm carteira profissional assinada, 26,0% trabalham sem carteira assinada, 10,4% são funcionários públicos, 9,4% são empresários ou empreendedores, aposentados ou segurados são 12,2%, donas de casa que não trabalham fora são 8,4% e desempregados são apenas 4%. Do total, 60,6% são casados/amigados, 26,8% solteiros, divorciados/separados e viúvos são 11,6%. O que isso revela é que Cuiabá, se não chega a ser uma cidade de renda alta como Brasília ou São Paulo, por exemplo, também tem chefes de família trabalhando de maneira bem estruturada. O desemprego de 4% não mexe na estrutura social da cidade. Na realidade, o que mexe nisso e provoca caos na saúde e na violência, além da educação, são as camadas jovens, que enfrentam outro universo muito diferente. Aí, sim, o desemprego é alto. Tudo isso, traduzido, indica que o que realmente falta à capital, são políticas públicas dirigidas a esses perfis detectados, mais do que programas genéricos que atendem genericamente ao universo, mas sem focos nas problemáticas específicas. Mas isso é conversa para outro tema, ligado mais à gestão do que à situação social dos habitantes de Cuiabá, como de resto a todas as demais cidades do estado. * ONOFRE RIBEIRO é articulista da revista RDM
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