O dia primeiro de janeiro de 1959 é tão distante, que o presidente Barack Obama ainda estava no colo da sua mãe, sendo amamentado para sobreviver e liderar a maior democracia do mundo. Foi neste dia que Fidel Castro tomou Santiago de Cuba com uma tropa esfacelada, mas contando com o apoio da população. O ditador Fulgêncio Batista fugiu e os revolucionários assumiram o poder prometendo ao povo novos tempos de liberdade. A extraordinária façanha dos guerrilheiros encantou a juventude e transformou o movimento em símbolo da luta contra a opressão. Durou pouco o sonho, e logo os ideais humanitários se transformaram em violência, com o fuzilamento de opositores e expurgo de cidadãos pacíficos. Em 1961, o governo cubano se declarou socialista e atemorizou o vizinho democrata com a possibilidade do domínio soviético sobre a ilha. A desastrada ação americana na invasão da Baía dos Porcos acarretou a decisão do governo dos Estados Unidos de bloquear Cuba, econômica e diplomaticamente. O país passou a ser mantido com verbas soviéticas, sofrendo isolamento por parte de aliados dos americanos. Com o tempo, movimentos humanitários passaram a atuar contra o bloqueio, mas os governantes americanos que se sucederam no poder não amenizaram suas medidas contra o governo cubano. Durante anos, milhares de cubanos arriscaram as suas vidas em travessias clandestinas para o litoral de Miami a pouco mais de 150 km da ilha. Muitos morreram afogados ou fuzilados pelas forças de segurança comandadas por Fidel Castro. A resistência de Cuba ao cerco americano desencadeou a formação de grupos humanitários especialmente depois da morte de Che Guevara, cuja imagem, estampada em camisetas e usadas por personalidades, passou a ser grife de larga divulgação. A decisão do presidente Barack Obama, em retomar as negociações para o fim do bloqueio de Cuba, recebeu a concordância do presidente Raúl Castro com o aval do comandante Fidel e animou nações ainda oprimidas que buscam, igualmente, a sua liberdade e autonomia. O mesmo se passa na situação intolerável da Palestina, que vive sob o jugo de Israel e não tem força militar para enfrentar as ações do governo que ocupa seus territórios e submete o povo às agruras de uma guerra sem-fim. A posição de Israel, em não aceitar as inúmeras deliberações dos organismos internacionais que determinam a desocupação das áreas na Cisjordânia e a liberdade dos habitantes palestinos em transitar e viver livremente em Jerusalém, agrava o conflito e incentiva a ação de terroristas contrários à paz. O Secretário de Estado americano, John Kerry, tem se esforçado para conseguir instalar a paz mundial em todas as zonas de conflito. Onde haja confronto, lá está o secretário correndo riscos e buscando o entendimento. Obama, com a sua experiência de ter sido discriminado, se destaca pela coragem e ousadia, prestigiando o seu colaborador e incentivando o caminho para o diálogo. Hoje, os povos perseguidos, discriminados, humilhados, fuzilados, mortos pela fome, pelo medo, pela falta de água e tantos outros martírios, aguardam esperançosos que o papa Francisco, com a sua humildade e destemor, encaminhe os dirigentes do mundo ao encontro da fórmula mágica de minorar os sofrimentos da humanidade. *PAULO CASTELO BRANCO é advogado www.broadcastpolitico.com/www.blogpaulocastelobranco.com.br/ www.paulocastelobranco.adv.b/
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