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ARTIGO
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009, 00h:34

OSVALDO SOBRINHO

Crise mundial e as perdas no varejo

O primeiro sinal da crise mundial que chegou a devastar milhares de pessoas nos últimos meses iniciou-se nos Estados Unidos, ocasionado através do aumento da inadimplência em empréstimos hipotecários, chamado de subprime. Mesmo com ajuda subsidiada de vários governos, o efeito da crise se alastrou nas instituições financeiras, causando uma crise de confiança no mercado, levando instituições de décadas a fecharem suas operações mundo a fora. Iniciou-se então uma névoa tenebrosa na economia mundial, tais a redução das linhas de créditos, retração do mercado e do consumo, a redução do poder de compra, o enfraquecimento das exportações, o aumento da inflação, e o que muitos temiam: o desemprego em escala. No início da crise era comum representantes da política, especialistas da área econômica e até mesmo presidentes e diretores de empresas locais afirmarem que a crise não afetaria os negócios aqui no Brasil. Infelizmente, não foi o que se viu. Esqueceram-se que vivemos num mundo globalizado e que as ações tomadas em escala global refletem em cada cidade, em cada economia. E realmente foi isso que aconteceu. Milhares de profissionais perderam seus empregos, a inadimplência atingiu o maior nível desde 2002, houve forte desaceleração nas vendas (principalmente no varejo), efeitos que influenciaram na desaceleração do crescimento do produto interno bruto (PIB). O efeito colateral da crise expandiu-se por todos os lados, e claro, atingiu em cheio o varejo brasileiro. Além das quedas nas vendas, os prejuízos causados por roubos ao comércio varejista no Brasil aumentaram 6,6% em 2009 na comparação com 2008, segundo levantamento global do Centro de Pesquisas do Varejo, na Grã-Bretanha. O país aparece em sétimo lugar no ranking de perdas provocadas por crimes, atrás apenas de Índia, Marrocos, México, África do Sul, Turquia e Tailândia. Conforme dados do Provar/FIA 2009, órgão ligado a USP que pesquisa o impacto das perdas no varejo brasileiro, as perdas provocaram um prejuízo equivalente a 2,05% sobre o faturamento bruto das empresas. Do total das perdas, 38,1% representam furtos internos e externos. No geral, o número leva em consideração roubos e também perdas causadas por fraudes financeiras, erros administrativos e de processos operacionais. Excluindo as falhas, mas incluindo na conta os recursos investidos em prevenção aos roubos, os gastos do comércio mundial em 2009 chegaram a US$ 120,5 bilhões (R$ 208 bilhões). No Brasil, o custo dos crimes contra o varejo somado aos investimentos em prevenção chegou a US$ 2,1 bilhões (R$ 3,6 bilhões) em 2009, 0,74% maior do que o de 2008. No Brasil, 40,3% dos prejuízos são causados por quebra operacional, a famosa uvinha consumida pelo consumidor quando passa na setor de frutas e verduras, 5,8% são causados por fraudes ligados a fornecedores e transportadores, 14% como erro administrativo, 19,2% por furtos externos praticados por clientes e 18,9% praticados pelos próprios colaboradores. Apesar do aumento do número de roubos, a crise econômica levou os comerciantes a gastarem menos em prevenção de perdas este ano. Os gastos nos 12 meses encerrados em junho de 2009 foram de US$ 24,5 bilhões (R$ 42,5 bilhões), uma queda de US$ 930 milhões (R$ 1,6 bilhões) na comparação com o ano anterior. No Brasil, os gastos em prevenção de perdas somaram US$ 293 milhões (R$ 508 milhões). Em 2009, 5,8 milhões de pessoas foram flagrados roubando pelos varejistas em todo o mundo, 500 mil a mais do que no ano anterior. Desse total, 85,6% eram clientes e 14,4%, empregados. As mercadorias mais visadas são roupas e acessórios, cosméticos, alimentos, CDs, DVDs e produtos eletrônicos. A discussão sobre o que leva ao roubo é profunda e reflexiva, debate que envolve inclusive aos aspectos morais e éticos, porém, um ponto é pacífico: o aumento da pobreza decorrente da crise mundial (o desemprego como principal fator), associada aos aspectos de caráter, contribuiu para o aumento do prejuízo causado por furtos e roubos no varejo. * OSVALDO SOBRINHO, Professor de Ciências Contábeis do Instituto Cuiabano de Educação - ICE, especialista em Prevenção de Perdas e Redução de Despesa, gerente de Planejamento e Controle da Logística e Prevenção de Perdas do Grupo City [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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