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ARTIGO
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009, 21h:14

JOSÉ ARIMATÉIA

Contornos para 2010

“A utopia é um lampejo da verdade”, Rui Barbosa. Ao acenar com a possibilidade de ser candidato a governador em 2010, o deputado Sérgio Ricardo – PR, para alguns analistas políticos, está apenas sonhando ou pressionando o governador e a cúpula dos republicanos, para se fortalecer politicamente na busca de outros cargos, já que a candidatura pretendida no momento é prematura e utópica. Fatos recentes demonstram que o grande Rui Barbosa não estava filosofando em seus versos, mas sim, fazendo uma afirmação. A atitude de Sérgio Ricardo já provocou estragos na pretensão do até então todo poderoso Luiz Antonio Pagot, tido, havido e carimbado como candidato do PR a sucessão de Blairo Maggi. Com a arrogância que é peculiar na “turma da botina”, Pagot não considerou aliados importantes como Jaime Campos, José Riva e o correligionário Sérgio Ricardo, lançando seu nome como se já fosse consenso do partido e da base aliada do governo. Com a posição tomada pelo deputado e as atitudes firmes de Jaime e Riva, teve que se retirar da disputa e engendrar algumas justificativas esfarrapadas. Em determinado momento diz que foi traído pelo Sachetti e por toda direção partidária. Alguns dias depois muda o discurso afirmando que retirou seu nome por que vislumbra a possibilidade de ser Ministro dos Transportes. Ele que “abra os olhos”, senão, vai perder até a direção do DNIT. Não é só o senador Arthur Virgilio que quer sua cabeça. Existem outras forças poderosas. Mesmo sendo Blairo Maggi seu padrinho, amigo do presidente Lula, a sua situação pode ficar insustentável. Queira ou não os “botinudos”, a sucessão estadual passa impreterivelmente pelo presidente da Assembléia Legislativa – PP, uma das maiores forças políticas de Mato Grosso na atualidade, pelo senador Jaime Campos – DEM, que goza do cacife de ex – governador e da tranqüilidade de ter seu mandato garantido até janeiro de 2015. É com essas lideranças que Sérgio Ricardo tem conversado. O governador e a “turma” que lhe rodeia, precisa entender que o senador Jonas Pinheiro, por desígnio de Deus, já partiu para outra dimensão. Em sendo assim, é necessário que busquem com lealdade, respeito e diálogo, consolidar as parcerias com Jaime, Riva e Sérgio Ricardo para sobreviverem politicamente. Que tenham a humildade de assimilar as lições que lhes proporcionaram as derrotas em Rondonópolis e Cuiabá. Em política não existe o “tudo ou nada”. Tudo e construído e conquistado de forma gradual. Neste imbróglio todo há ainda de se considerar o PMDB e o PSDB que possuem nomes respeitáveis para a disputa de 2010. Reconheço múltiplos e evidentes aspectos positivos da administração conduzida pela “turma da botina”, mas, no que tange a convivência com parceiros e aliados, agem com arrogância e descriminação. Daí, acredito eu que o deputado Sérgio Ricardo não está blefando e nem usando de falácia para se promover. Tomou sim uma atitude corajosa que muda todos os contornos na discussão da sucessão estadual em 2010. * JOSÉ ARIMATÉIA é ex-deputado estadual

Edição EDIÇÃO 16966




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