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ARTIGO
Sexta-feira, 20 de Maio de 2011, 20h:44

NATACHA WOGEL

Conduta questionável

Dois pesos e duas medidas. Há cerca de 10 dias, a sociedade cuiabana que consome informação, seja por meio da TV - sobretudo nos programas policiais -, de jornais impressos ou sites e afins, conheceu um dos ladrões que, numa ação corriqueira de roubo a estabelecimento comercial no Centro, feriu à bala um perito da Polícia Federal. No dia do fato, em praticamente segundos, homens da corporação já estavam no local do crime para iniciar as investigações. A ação parecia uma missão de guerra, com a presença do helicóptero da PM e diversas viaturas em torno do comércio. Atipicamente, delegados responsáveis pela investigação convocaram coletiva, cerca de uma semana depois, para apresentar o preso, que também concedeu entrevista durante o encontro com a imprensa, numa exposição raramente vista em se tratando de Polícia Federal em Mato Grosso. Passados dez dias, um delegado da mesma corporação, sabe-se lá por que, disparou sua arma na madrugada provocando o ferimento de um estudante. A Polícia Militar o prendeu na mesma manhã. Sua imagem só pôde ser reproduzida no meio jornalístico e, consequentemente impressa e divulgada ao público, em fotos com baixa qualidade de visualização, possivelmente tiradas de um aparelho celular de alguém que resolveu dar notoriedade ao acusado. Pergunte se alguém da corporação se manifestou à imprensa para falar sobre o caso? E coletiva ou explicações diretamente concedidas, houve? Não! O abismo na atitude entre um episódio e outro é tão grande, que fica impossível entender e aceitar os parâmetros estabelecidos pela Polícia Federal acerca da divulgação ou não de fatos da sua alçada. E digo mais, a corporação não sabe, inclusive, utilizar-se dos meios de comunicação nem para divulgar ações de sua autoria que possam vir a beneficiar a sociedade, ou mesmo para anunciar o resultado positivo de missões realizadas. O perfil dos pedófilos de Mato Grosso, material elaborado e traçado pela PF a partir de investigações – o que imagino que deva ter sido um intenso e incessante trabalho de apuração, cruzamento de dados e outras práticas policiais –, foi um dos temas procurados pelo jornalismo local. O delegado responsável pelo assunto recebeu uma ligação da reportagem do Diário já sem muito interesse. Foi logo dizendo que estava muito atribulado e que só poderia falar sobre o assunto no fim da tarde, rapidamente e por telefone. A reportagem pacientemente aguardou o horário combinado e... O delegado não estava na sede da PF na hora combinada. Paciência, se os federais não conhecem a importância do direito à válida informação. NATACHA WOGEL, editora de Cidades

Edição EDIÇÃO 16966




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