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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 12 de Janeiro de 2013, 13h:50

ADEMAR ADAMS

Como não ficar indignado?

Nesta virada de ano fiquei no meu canto. Não fui a nenhuma posse e nem li jornais ou blogs. Só depois é que fiquei sabendo da sujeirada da eleição na Câmara de Cuiabá e os desdobramentos, e do secretariado mixuruca do novo prefeito. Já me bastavam três outros motivos para indignação: Primeiro, a campanha publicitária da prefeitura da Capital, falando de “casa arrumada”, que estava em todos os canais de rádio e TV, sites, jornais e blogs. Uma vergonha! Gastar uma fortuna para mentir à população e tentar dourar a pílula de uma administração fracassada. A cidade está esburacada, tem lixo pra todo lado, o pronto-socorro, um eterno caos, e o canalha tem coragem de gastar a verba pública para apregoar notórias mentiras! O Ministério Público deveria ter imediatamente pedido e a Justiça liminarmente deveria ter mandado cessar essa monstruosidade. Isso no mínimo deseduca as crianças e deixa indignadas as pessoas de bem. A outra aberração foi a propaganda institucional do governo estadual, onde a esposa do governador, secretária de Trabalho e Assistência Social, aparece falando como se fosse a madre Tereza de Calcutá. A Constituição veda este tipo de promoção pessoal! Está lá no artigo 37, todo mundo sabe dessa proibição e as autoridades nada fazem. Será que o chefe do Ministério Público Estadual não conhece as leis ou não assiste televisão? Ele ganha uma fortuna justamente para ser o chefe na fiscalização das leis e deixa a sociedade desamparada numa hora destas! E a terceira causa de indignação é ver uma televisão promover a “Corrida de Reis” faturando em cima da coisa pública descaradamente. Pois não é que os três principais patrocinadores são o governo do Estado, a Assembleia Legislativa e a prefeitura de Cuiabá? E aí vemos um Executivo que enquanto deixa a saúde no descaso e garganteia obras que nem são suas. Vemos a casa da imoralidade que consome 300 milhões por ano em futilidades, gritando ser “Casa Cidadã”. Casa cidadã, presidida por quem tem mais 100 processos por improbidade? E uma prefeitura, que deixa o povo sem água e esgoto, escolas abandonadas e com lixo nas ruas pode gastar com evento esportivo privado? E assim vemos que o desrespeito às leis, aos princípios que regem o trato com a verba pública e a ética que deveria nortear os governos, sendo tratados com menoscabo. E as autoridades competentes dormindo em berço esplêndido em suas mansões e condomínios de luxo, recebendo auxílio-moradia... * ADEMAR ADAMS é jornalista

Edição EDIÇÃO 16967




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