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ARTIGO
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007, 19h:01

PAULO ZAVIASKY

Como desentortar bananinhas

Cuiabá não pode reclamar contra a falta de programas de TV nos dias atuais. Houve época em que sonhávamos com um espaço na TV para as coisas de nossa gente e de nossos valores. Havia apenas a rede nordestina Globo de TV, dos pernambucanos e alagoanos irmãos Marinho. Portanto, natural que os estudantes desta capital fossem educados sobre como se proteger das secas, como sobreviver comendo terra e capim ou como assaltar montes enormes de dinheiro público através de ardilosos esquemas de desvios de medidas orçamentárias junto ao congresso da vergonha nacional e os políticos do nordeste que eram apenas eles, os donos absolutos daquela república da seca dos mais famosos furtos aos cofres de nossa história tão decantados. Com isso, a nação assistiu recentemente, estarrecida, à república de Alagoas transferir-se de mala e cuia para esta capital. Sanguessugas, susto nacional que provou que nós, alunos da TV oficial do nordeste e do Brasil, superamos os mestres. De palco dos escândalos que abalaram o Brasil em 2007 para o último lugar na vergonhosa escala da educação e do ensino públicos foi apenas um pequeno passo. Em pesquisa feita por importante programa de TV desta capital, ninguém sabe quem fundou Cuiabá, principalmente os alunos daqui que só aprendem letras de músicas caipiras. Os locutores daqui não mais pronunciam textos. Pura enganação aos idiotas dos patrocinadores do nada. Uma gritaria onde muitos se utilizam do controle remoto para tirar o som. Não se fala, grita. Ninguém entende, mas a empresa paga o texto. Não há pronúncia, apenas as primeiras sílabas são pronunciadas. O resto fica por conta da adivinhação. Tipo pronúncia mineira: “Meninin...cór... pra den... qui vem vin... chuv... fór... cum ven... di dirrubá teiád...” Mas, já temos programas excelentes daqui. Os programas dos deputados. Do deputado Maksuês que declara ser candidato à fila dos candidatos à prefeitura de Várzea Grande; do deputado Rabello que não se cansa de afirmar que quando chegar à prefeitura de Cuiabá vai acontecer mesmo. Ambos rufam o cacete nas cacundas de Murilo de lá e Wilson de cá. O programa do também deputado Sérgio que se especializou em músicas da Santa Igreja Católica Apostólica Romana e dos padres-cantores da “Oração Pela Família”. Pena que mostram apenas as periferias distantes mais de 214 quilômetros desta região, dois ou três doentes de lepra (na hora do almoço) ou a doação de uma casa apenas que confrontam com a realidade de abandono municipal aqui mesmo no centro da cidade, os 160 mil leprosos oriundos de outras plagas, portanto, não apenas um, e o déficit de moradias em 36 por cento de toda a população regional. Há, também outro programa que enaltece os programas locais dos deputados da assembléia legislativa do Estado de Mato Grosso que também já possuem uma TV própria à disposição. Do também deputado França que já disse que nem se filiou para “não ficarem pensando que sou um oportunista candidato a candidato a qualquer coisa”. É livre perante o Ministério Público. Finalizo com um registro. O excelente apresentador do programa VIP, transmitido pela TV Brasil Oeste, canal 8, que não é deputado, coisa rara por aqui, mas foi candidato a vereador daqui, o bom paulista do interior, Eduardo de Carvalho, ao entrevistar nesta semana a mulher do famoso Roberto Justus que inaugura um luxuoso restaurante em Cuiabá, perguntou a ela o porquê da inauguração desse excelente restaurante nesta capital, completando ao vivo, a cores: “Cuiabá NÃO merece isso”. Ela retrucou imediatamente. “Merece sim”. Quem ficou em silêncio, além do gratificante e maravilhoso apresentador, ainda não deputado, do programa VIP, não eleito desta vez vereador daqui, o bom paulista Eduardo de Carvalho, foram a Academia Mato-grossense de Letras e as forças vivas desse eloqüente silêncio dos inocentes. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no “24horasnews” e comenta ao vivo diariamente pela Rádio Natureza de Chapada (MT) e emissoras autorizadas

Edição EDIÇÃO 16967




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