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ARTIGO
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010, 19h:23

PAULO ZAVIASKY

Comícios nas missas e cultos

Antigamente, havia comícios nas praças, lembram-se? Hoje acontecem nas missas e cultos dominicais. Neste segundo turno, o povo brasileiro retornou à idade média, onde a religião dava as cartas e o povo descontente era sempre quem ardia no fogo dos infernos, queimados vivos. De um lado, temos hoje a Dilma, considerada anti-Cristo que, de tanto apanhar com essa ladainha da oposição, já a comparam, até, com Joana D’Arc, aquela heroína que foi condenada e morreu queimada viva na fogueira religiosa da época. De outro lado, temos, também hoje, o Serra, considerado coroinha crismado e batizado na Santa Igreja de Roma, por causa de sua aparente Fé ao confessar diariamente e pedir perdão a Deus pelas ridículas fantasias sobre bolinhas de papel que jogaram em sua cabeça e que ele saiu gritando como se fosse um baita de paralelepípedo. Aqui, faço um adendo. Com que cara está o médico que atestou que aquele papelzinho filmado e gravado e sonorizado e que todo mundo viu “produziu um vasto hematoma na moleira do Serra”?... Isto significa que aquele copo de água que jogaram na Dilma em sua passeata no Rio, poderia ser comparado a uma Usina de Itaipu que teriam jogado nela. Com as turbinas e tudo. Mas, com todo o respeito que tenho por esse exercício da democracia, onde ninguém mais deseja regimes de exceção, pois, diante das declarações nas Ordens do Dia nas casernas de nosso País, nem o Exército pensa mais nisso por causa da escuridão que entrariam num túnel chileno onde até os mineiros acostumados de lá não querem votar mais, eu não votaria em nenhum dos dois nem para vereador do Clube dos Escândalos cuiabanos estacionado no Centro Geodésico da América do Sul sob o pseudônimo de câmara municipal daqui. No circo eleitoral brasileiro, onde o palhaço é você, caro eleitor, a santa igreja não está muito boa das pernas pelos problemas internos que se tornaram públicos. Com tal enfraquecimento, as outras mandam e desmandam neste território fictício onde o governo finge que governa e o povo finge que tudo está bem, segundo todas as pesquisas. Como o governo da Dilma determinou que nenhum bem público dos três poderes pendure cruzes, Cristo crucificado, Virgem Maria, santos nem pensar, pois, segundo ela, ou coloca imagens de todas as setecentas e nove religiões que possuímos ou não se pendure coisa alguma, a igreja mais antiga retirou o apoio dela, onde até a CNBB colocou o dedo no narizinho de marketing dela e disse que apóia seu sacristão paulista, seu opositor. Bem, o que fizeram as outras religiões? Declararam apoio a ela. Mas, não contavam com os dissidentes. Com isso, o povo está sem opção política por causa de dois candidatos piores, pois não dá para votar no Lula que seria um terceiro mandato ideal e do gosto de todo mundo. Ou da maioria. Esses setenta por cento que é quase todo mundo. E estamos sem opção religiosa também. O povo anseia por ouvir na Paz do Senhor, as palavras de Deus nos santos domingos de Missa e fica com os ouvidos doendo de tanto ouvir pregações da CNBB sobre voto sagrado e secreto, desde que seja no Serra e não em Dilma. O mesmo acontece nos templos evangelistas das gritarias “desafasta desse corpo que ele não te pertence”, em favor de Dilma. Acho mesmo que já que as igrejas se afastaram de Deus e se meteram nessa politicalha, querendo nomear todo mundo, gostaria de sugerir que algum senador proponha de verdade que, a partir do ano que vem todo os padres, bispos e pastores sejam nomeados pelo presidente da República Federativa do Brasil. Ou através de concursos públicos. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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