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ARTIGO
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012, 19h:56

PAULO ZAVIASKY

Carnaval mais alegre de Cuiabá

Embora o cuiabano presidente da república, Marechal Dutra, tenha construído o estádio do Maracanã, acabou com o luxo saudoso quanto saudável do Cassino da Urca, do Copacabana Pálace, do Quitandinha Pálace e Grande Hotel de Mato Grosso que atraíam o mundo inteiro aos nossos luxuosos cassinos e roletas que fez o Brasil dar inveja ao mundo. Dutra acatou em 1946 as ordens de Las Vegas, EEUU, em depressão pós-guerra e mais pela concorrência nossa onde até a natureza marcava os gols a nosso favor. Cuiabá também teve o seu luxuoso Hotel Cassino, que foi o Grande Hotel de Mato Grosso, situado bem ao lado do Cine Teatro Cuiabá, que urrava nos carnavais cuiabanos dos smokings e pedras de brilhantes nos longos vestidos das damas cuiabanas, invejadas pelo mundo, neste Centro da América do Sul. Os cassinos dos sonhos de nosso Grande Hotel brilhavam com jogos para todos os gostos e que ainda veremos, um dia, tal retorno para a redenção financeira da pátria e do povo que lamenta tal fraqueza de nosso Dutra. Ele acatou a determinação do tio Sam dos EUA em obedecer de joelhos no milho a mais burra página de nossa história contra o Brasil, sem guerra ou luta, nem sangue ou suor e apenas nossas lágrimas carnavalescas. Enfim, estamos nos carnavais modernos da vida. É claro que o povo sente saudades dos carnavais do passado, apesar de alguns doentes do fígado, serem contrários às lembranças por entender que todos deveriam olhar, pensar e construir apenas o futuro. Estes tiveram infância amargurada sem carnavais, vivem na orgia delirante do BBB da TV Globo e não sabem quem descobriu o Brasil. Pior, não conhecem o cheiro de lança-perfume, nem os beijos das lindas moças de Cuiabá. A visão das costas nuas das garotas daqui e suas fantasias de outrora, serpenteando com o fino jato gelado do lança-perfume, era a glória para nós, que sempre soubemos tudo sobre nossas meninas, consideradas as mais belas do país. Os amores de nossos carnavais eram quase ficção científica. Nós, meninos caçadores de sonhos e ilusões, tínhamos o direito supremo de chegar perto, conversar ao vivo e até segurar as mãos das cuiabanas mais belas do Brasil. Porém, havia um detalhe: nosso ciúme político, coisa só de gente grande, de outras cidades que, próximas de São Paulo, colhiam apenas tudo em termos de progresso. Isolada dos grandes centros, Cuiabá reverenciava o Carnaval como somente nós sabíamos fazer e curtir, extravasando tudo nos gritos de guerra momescos dos anos sessenta de ouro, nas chamadas das cornetas dos maestros China e do Penha no Clube Feminino, Clube Dom Bosco, Clube Náutico de Várzea Grande, Sayonara, Balneário Santa Rosa... E o sagrado beijo na namoradinha cujo gostinho teima em nunca desaparecer... E até na boate Tabariz, que era considerada uma zona de luxo do baixo meretrício, daqui e suas famosas loiras provisórias de Goiânia, Minas, Rio e Santa Catarina que ficavam seminuas dançando num picadeiro noite adentro. Exatamente como no BBB da TV brasileira, ibope absoluto da família e da cultura do povo tupiniquim que gosta de coisas bonitas e, principalmente, de sexo, samba e muito Carnaval. Estacionada no tempo e no espaço, Cuiabá cultivava o amor das serpentinas e dos palhaços nos salões à espera do milagre do progresso que veio meio amassado, roncando, pisando no freio na subida. De repente, surge a visão do Carnaval de hoje, com os mesmos fortes toques de clarim de nossos mágicos maestros históricos, em pé, na frente do Clube Feminino, anunciando, lá de cima, que o Carnaval de nossos sonhos finalmente chegou com tudo. Com uma grande novidade, um presente ao povo de Cuiabá que ficará gravado em nossa História de verdade, um sonho que se tornou realidade para um povo agradecido. Nome do Bloco surpresa: “Copa do Pantanal”. Participantes: Silval, Riva, Eder, Dilma... Nome do samba-enredo: “VLT vitorioso abraça Cuiabá”, o maior legado da Copa. Vou pular até cair! * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16962




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