ARTIGO
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 17h:56
A
A
* ILSON SANCHES
Carapuça esvoaçante
Minha experiência em educação não é de forma alguma desprezível. Mais de vinte anos em ensino universitário e a cada dia aprendo sempre mais. Meus alunos são meus eternos professores nessa troca de experiência. E tanto no curso de Economia quanto no curso de Direito. Uma das maiores preocupações que tive foi com o aprendizado deles. E este é um papel preponderante a ser observado, pois os alunos quando adentram a sala de aula vêm carregados de experiência de toda ordem, algumas boas e algumas nem tanto, cabe-nos identificá-las e aprimorá-las. No projeto pedagógico das instituições a pergunta que o Ministério de Educação quer ver sempre bem respondida é que tipo de profissional será formado. E a nossa responsabilidade torna-se imensa, pois temos que harmonizar o que por natureza é dispare. Conhecimentos adquiridos de forma desigual se afloram com todo tipo de deficiências e habilidades. E é nesta situação particular que avaliamos se o processo de construção de conhecimento nasceu equivocado e/ou vai permanecer assim. E o máximo que poderemos fazer é corrigir alguns aspectos e, excepcionalmente o conseguimos de forma completa e com sucesso absoluto. As frustrações, às vezes, são discutidas nas salas dos professores e nunca nos esquecemos que o processo tem uma origem, e esta vem das políticas públicas educacionais há anos construídas, na maioria das vezes, de forma equivocada. E onde está o equívoco? Não raro no tratamento que é dado ao ensino, hoje denominado de fundamental. Apesar dos esforços enormes dos dedicados professores estes não conseguem passar de forma absoluta e completa o patriotismo ou as lições de cidadania, pois mal os alunos aprendem o hino nacional e nem aprendem a proteger o patrimônio público e ainda a respeitar opiniões acadêmicas ou intelectualizadas no seu cotidiano. Consideram todas estas questões como ultrapassadas ou caretas. E não raras vezes os maus exemplos provem de autoridades que por arrogância, incompetência ou desvios éticos e morais definem ações distorcidas. Estas, ditas insistentemente soam como verdades absolutas e mesmo relativas, que se transformam em paradigmas. A parcial correção de tais equívocos não é a única responsabilidade do poder público, mas também de pais e responsáveis. E a terceira porção é da própria sociedade na qual a falta de civilidade faz transparecer o desrespeito pelo social, ou a falta da responsabilidade social. Os parâmetros, nem tanto antigos assim, de uma boa educação era o bom dia e o levantar quando o professor adentrava a sala de aula. Hoje o aluno sai e entra na sala de aula, sem nem mesmo pedir licença ao professor que está quase gritando para ministrar a aula. Sem falar no grupo que conversa e conversa e..., ou ainda direciona sua revolta pessoal, familiar ou social ao professor. São todas as questões simples de civilidade que já nos esquecemos, por que os pais não mais se lembram e os professores se vêm enfraquecidos ou desestimulados, às vezes já esgotados para redirecionar seus esforços e, pelo menos, tentar corrigir tais equivocidades. E as pesquisas deveriam mostrar que talvez por tudo isto, não se vê mais civilidade nas ruas, nem no trânsito e muito menos onde a violência impera e, as autoridades se aprimoram em incompetências e inabilidades. Vamos refletir nestes assuntos simples. Talvez juntos encontremos a solução para tanta arrogância, mau humor e intolerância ações comuns nas ruas, nas salas de aulas, nas repartições públicas, nas entrevistas com autoridades etc., como se deuses fossem e como se os outros fossem seus meros súditos. A monarquia absolutista é coisa do passado e o mundo moderno está a exigir uma civilidade também moderna. Falta aprendermos a reconstruir essa modernidade civilizada. Que a carapuça caiba onde deva caber!!! * ILSON SANCHES, Advogado em Mato Grosso, especialista em Direito Empresarial e Professor Universitário de Direito Econômico e Direito Concorrencial. Doutorado pela Universidade de Paris I Sorbonne/França