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ARTIGO
Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011, 20h:18

DAFNE SPOLTI

Brincando de quê?

Quando a Anita Prestes veio a Várzea Grande comemorar os 15 anos do MST, uma das principais mensagens que deixou foi que é necessário muito estudo para alcançar as transformações sociais. Assim como sua fala (e existência como acadêmica), de vez em quando me deparo com situações e pessoas que me levam a pensar na importância da capacitação, do estudo aprofundado, da dedicação. Não podemos ficar parados esperando que o mundo mude (para melhor) sozinho porque isso não vai acontecer. É preciso lutar e isso não pode ser feito com uma militância burra. É preciso aproveitar a bagagem deixada por teóricos, artistas, “jesuses” e outras pessoas. Devemos nos apropriar do conhecimento produzido, utilizá-lo e evoluí-lo. Nesse sábado, tomando cerveja com uma amiga, nos perguntávamos se havia algum jovem incrivelmente capacitado e consciente no país. Claro, praticamente não temos conhecimento de pessoas de repente geniais, mas que não têm visibilidade na mídia, mas das pessoas que tem, lembramos apenas da Maria Gadú. E percebemos em seguida: Ela não é tão consciente assim, as letras das músicas não são tão profundas, nem reflexivas, tampouco com pretensão de trazer transformações sociais. Há um tempo, a juventude criava novas linguagens cinematográficas e teatrais, começava a quebrar tabus na música, escrevia e escrevia sobre política genialmente (com estudo), iam para as ruas convictos do que era necessário ser modificado. Atualmente, fazemos manifestações quase vazias via Facebook (é uma ferramenta legal, mas insuficiente) e principalmente, não fazemos nada. E quando ficamos irritados com algo, a coragem fica limitada pela falta de conhecimento: recuamos. Abençoadas as pessoas velhas que lutam. Abençoadas as que nos ajudam a lutar. Mas e nós? Vamos ficar brincando até quando? Rebeldia não é pedir dinheiro pros pais, nem bater a porta da casa. Não é dizer palavrão para a avó e nem fumar maconha. A luta envolve autocrítica, compreensão, percepção e estudo do mundo o tempo todo. Fica a dica. DAFNE SPOLTI é repórter

Edição EDIÇÃO 16967




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