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ARTIGO
Quinta-feira, 12 de Junho de 2014, 20h:22

AUREMÁCIO CARVALHO

Brasil mostra a tua cara!

Qual é a “cara” do Brasil? Figura entre os 08 maiores países do mundo em termos de PIB - (Produto Interno Bruto); mas, também está na 85ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e, se for introduzida a variável “desigualdade”, caímos para o 97º lugar. No campo da ética e transparência ocupamos a 69ª posição no grau de corrupção da Transparência Internacional. Em educação, recentemente, ficamos em 53º lugar entre 65 países no ranking do PISA - Programa Internacional de Avaliação em Matemática e Leitura. Apenas um terço dos alunos acima de 15 anos domina a leitura e a matemática. Cerca de 30% dos brasileiros são “analfabetos funcionais”, ou seja, sabem ler, mas não conseguem entender ou interpretar o que estão lendo. No índice Hale da ONU - expectativa de vida saudável- somos colocados no 70% lugar, mas, se acrescentarmos variáveis como distribuição da rede de saúde, capacidade de resposta às demandas, proteção aos riscos, ai vamos para a 125ª posição em 200 países. Na segurança, a taxa de homicídios cresceu 123% nos últimos 20 anos; e a taxa de mortes por armas de fogo, em média, chega a 20,4 por 100 mil habitantes; em comparação com 16,2 do México (que vive uma guerra civil contra o crime organizado); 3,9 nos EUA; 0,7 na China e 0,01 no Japão. É, a foto não é muito “fotogênica”, convenhamos. Jeffrey Sachs - economista de Havard e Diretor do Instituto da Terra da Universidade de Columbia - EUA, afirma que “sem ética não é possível otimizar a economia”. Se entendermos “ética” em termos de filosofia, como “a escolha do bem comum”; aliás, premissa usada na Eco-92 e na Carta da Terra, para significar um desenvolvimento sustentável e ético, no sentido de que as decisões de todos- pessoas, empresas, governos, devem levar em conta o ser humano (e a natureza), como um todo, na tomada de decisões de forma ética, o “bem comum” transcende a dimensão local, cultural ou ideológica para alcançar todo o Planeta. Assim, para que as desigualdades que assolam nosso país sejam erradicadas temos que compreender e aceitar que todos os nossos problemas são interconectados e não objeto de soluções paliativas ou fragmentadas, mas vistos como um problema global. Por exemplo, não seria mais conveniente investir na educação básica, que é a base para todo o sistema educacional, do que ficarmos tentando reparar erros e despreparo de nossos estudantes de nível médio e superior, com bolsas, “facilidades” curriculares, e outros jeitinhos brasileiros? Junto com um forte investimento em saúde não se poderia também investir em prevenção, saneamento básico, hábitos saudáveis, praticas de higiene, água potável? Baixar índices de criminalidade não se resolve apenas com treinamento de policiais, leis mais rigorosas (e seu cumprimento), mas com o desenvolvimento de uma cultura de paz, educação e respeito mútuos nas escolas e lares, justiça restaurativa e não apenas, punitiva; resolução dialogada de conflitos no ambiente profissional ou doméstico; por outro lado, o alcance de uma cultura de não violência está associada, de forma sistêmica, com justiça social, educação, distribuição de renda, igualdade de oportunidades, etc. As crises sucessivas que atravessamos não são “cíclicas”, mas sistêmicas e respondem ao modelo de país que temos e que, por ação ou omissão, mantemos a todo custo. Elegemos representantes em todos os níveis por influência do marketing político, ou seja, compramos um “produto” nas prateleiras do supermercado da propaganda eleitoral obrigatória, sem buscar ler “a bula e as indicações e contra-indicações”. Utopia? Talvez. O mundo sempre viveu e avançou por sonhos e utopias, inclusive nas grandes descobertas da ciência. Nosso grande desafio parece estar numa mudança cultural profunda de nós mesmos, de nossos hábitos e costumes arraigados. “Um mapa do mundo que não inclua a utopia não é digno sequer de ser olhado... O progresso é a realização de utopias.”- (Oscar Wilde). * AUREMÁCIO CARVALHO é Advogado e ex-ouvidor geral de polícia de MT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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