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ARTIGO
Sexta-feira, 27 de Julho de 2007, 20h:27

PAULO ZAVIASKY

Bengalas das safadezas

Como toda a Inglaterra sabe, o imposto cobrado através do cheque, apelidado de CPMF foi um dos artifícios mais eloqüentes da ditadura que ainda não conseguimos sair dela. Sua “conquista” pelos síndicos provisórios da época foi tão vergonhosa cujas mentiras faziam parte do “apagão” moral que teima em ficar no centro de Brasília. A reação negativa foi intensa quando o povo descobriu que foi ludibriado como sempre. E, assim ficamos todos contra o tal de CPMF que sugou a competência e moral ilibada de um grande médico que fora convidado para ser o ministro da saúde deste país doente, apenas para servir de suporte à bengala das safadezas que é produzida em escala industrial nos porões do Alvorada cujo nome, desde a sua criação, foi copiado por milhares de bordéis nas zonas do baixo meretrício e, inclusive, do alto meretrício. Profecia popular nunca falha. Mas, pensando bem, somos contra tal imposto apenas pela forma como fora criado e empurrado goela abaixo, como tudo o que se faz sempre nos cantos dos poderes. Exemplo maior não existe como a votação contra o parlamentarismo. Todo mundo é a favor do sistema parlamentarista, pois os mensalões dos sanguessugas ficam nas cuecas de maior número de políticos. Há maior distribuição de riqueza. Porém, no momento em que o sistema impôs uma votação para robustecer e amparar a legalidade daquilo que fantasiavam fazer, votamos contra o parlamentarismo e até hoje estamos nesse cemitério de lideranças brasileiras. Mas, sempre fomos a favor do imposto sobre o cheque. Desde que único. Somente assim, todo mundo pagaria os impostos. Quem paga impostos no Brasil são apenas os desgraçados assalariados, os honestos, os esfomeados, a classe média. O restante, pratica o esporte que, afirmam, estará nas próximas olimpíadas que é o da lavagem de dinheiro nas ilhas das fantasias deste mundo em que vivemos. Empresários inteligentes e os empreiteiros que estão figurando em primeiro lugar na bíblia esotérica da corrupção nacional, segundo as últimas ações da polícia federal, sonegam apenas tudo. É claro que nunca estão sozinhos. Os receptadores que ficam nas poltronas do congresso nacional, segundo as recentes ações da polícia federal, formam o triângulo das Bermudas da crise brasileira que ninguém sabe explicar porque ainda não houve uma reação em cadeia como aconteceu com Jango, por culpa do Jânio que não suportou as dívidas do JK. Enterrados no passado estão eles e o poder de reação do povo brasileiro anestesiado até a alma por tantas surpresas negativas. A ponto de todos os lados estarem pedindo uma espécie de trégua a fim de que o Fluminense e o Flamengo voltem a ganhar e o Palmeiras e Corinthians levantem taças da paz novamente. Isso, para dar tempo em pensarmos que o CPMF ou imposto sugado nos cheques é realmente uma solução. E antes de me chamarem de louco, acertando na mosca, repito os motivos. Todos, inclusive os bandidos e os sem-terras e os fazendeiros, classe em total extinção, e os empresários do caos, empreiteiros da alma brasileira, também pagariam impostos e não ficariam impunes, como estão até hoje, segundo as últimas ações/tentativas da polícia federal, sonegando o direito à cidadania de todo um povo inteiro desta nação que paga um dos mais altos condomínios do mundo, exatamente por estar pagando pelos que não pagam. O Brasil é o único país do mundo em que os pobres é que sustentam os ricos. E fosse bem mais alto tal imposto, nos cheques, desde que fosse único. Tão fácil que os maestros da esperteza nacional jamais permitiriam essa auditoria popular. Essa, também, a diferença entre estadista e político. * PAULO ZAVIASKY é jornalista. Está no “24horasnews” e na Rádio Natureza de Chapada (MT)e rede de emissoras autorizadas

Edição EDIÇÃO 16969




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