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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ARTIGO
Quarta-feira, 30 de Maio de 2007, 22h:26

ADILSON ROSA

Até quando?

Um amigo meu montou um supermercado num bairro próximo do Jardim Santa Marta e já está sentindo na pele a violência da região. Em menos de um mês, o estabelecimento comercial foi invadido quatro vezes por assaltantes. Foram três tentativas e um roubo concretizado. Revoltado, ele pensou em fechar o supermercado colocando no olho da rua ao menos 15 pessoas. O prejuízo só não foi maior porque ele é parente de um oficial da PM, que se encarregou de localizar os bandidos e recuperar o dinheiro – algo em torno de R$ 1,3 mil. Os ladrões – dois adolescentes usuários de drogas - nem foram presos. Eles se comprometeram a devolver o dinheiro e assim fizeram. O empresário? Contratou serviço de uma empresa de segurança particular. Caro leitor, esta é a situação caótica de falta de segurança em que chegamos na Grande Cuiabá e, lógico, em quase todo o país. Quem paga impostos para que o poder público ofereça serviços básicos é obrigado a gastar mais. Pouco culpado na história é o secretário Carlos Brito, que está há seis meses no cargo. O aumento da violência veio gradativo. Começou a se intensificar a partir de 1995. E, infelizmente, não veio acompanhado de medidas eficientes. É a partir daquele ano, revelam as páginas deste Jornal, que os assassinatos chegaram a 200 por ano e não pararam mais de subir. Em 2001 chegaram ao número apocalíptico de 395. O atual governo contratou mais de 1.000 policiais militares e comprou uma centena de novas viaturas. Mas não é suficiente! Temos que levar em conta que somente com investimentos estruturais em educação e lazer é possível diminuir os furtos, roubos e tráfico de drogas. Façamos um raciocínio simples. Se dois adolescentes que assaltaram o supermercado de meu amigo estivem numa sala de aula com ensino de qualidade, provavelmente não teriam comprado um revólver para assaltar e comprar drogas. Estariam estudando, trabalhando. Não precisariam furtar ou roubar para sustentar o vício. A realidade, no entanto, é cruel. Os dois menores provavelmente irão praticar outros assaltos e deixarão mais pessoas em pânico porque não têm interesse em estudar e não têm onde passar o tempo com alguma atividade sadia. Dinheiro para mudar essa realidade não falta. Afinal, trabalhamos quase meio ano só para pagar impostos. O que falta é vontade política de investir nas causas da violência. Por enquanto, os nossos dirigentes só pensam em atacar as conseqüências. Até quando? ADILSON ROSA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16966




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Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
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