Estamos acostumados com tantos tapas na cara que até já não dói mais. Por isso, todo mundo prefere falar sobre assuntos mais felizes como vendas de ruas de Cuiabá e de Várzea Grande, a vergonha dolorida do suposto aeroporto de Cuiabá que não temos, pois fica em Várzea Grande e que só serve para arrecadação de verbas através do maior estacionamento do mundo, e o mais caro também, além da vergonha dos turistas perante a passarela que a Infraero sadomasoquista edificou para o desfiles a céu aberto dos palhaços que somos todos nós. O povo daqui prefere discutir coisas mais agradáveis como o enigma histórico da destruição de nosso estádio de futebol, mesmo tendo dinheiro para construir um novo e belo estádio noutro local e o risco enorme de ficarmos, hoje, sem um nem outro. Portanto, olhando prá trás, vemos o asfalto feito na rodovia até Chapada, em 1978, onde dois dias após baita inauguração festiva todo mundo descobriu que aquele asfalto era tinta preta apenas. Olhando para o presente, surge uma experiente jornalista da TVCA que se deslocou até a nova rodovia do desnível duplicada recentemente até o entroncamento para a Usina(?) de Manso ou Piscinão de Ramos, como é mais conhecida, e, munida com a sua mais potente arma do mundo moderno, arregaçou o asfalto novo. E, ainda gravou e mostrou ao povo estupefato. Explico. Os mágicos construtores dessa duplicação da rodovia Emanuel Pinheiro, cientes do deboche da impunidade reinante por aqui, elaboraram duas maravilhas na cara das autoridades e de nosso povo, alegando que apesar do apelo, dos gritos, da revolta, da região do Vale do Cuiabá, ninguém nunca foi punido e nem o será. Impunidade. E, assim, como está escrito na Bíblia Sagrada há 2.011 anos, copiaram o desnível ao contrário que só existia na avenida do Líbano, quase em frente ao Clube Monte Líbano, onde os engenheiros paranaenses confundiram totalmente as leis da Física, pois os prefeitos do passado, presente e futuro daqui determinaram que engenheiros e arquitetos cuiabanos não prestam mesmo, diante das misteriosas, para tais alienígenas do sul-maravilha, forças centrífugas e as centrípetas optando no jogo de palito por esta última que sempre empurra o veículo para fora da pista com velocidade pouco maior que meio Km/h de velocidade. Maldade? Assassinato? Incompetência? Tá lá na nova rodovia duplicada Cuiabá-Chapada. Graças a Deus temos hoje o Ministério Público e a PF que o governo tenta cortar seus benefícios salariais do orçamento, por fazer apenas tudo e se tornar um farol perante tantas besteiras que nos assolam. Os noticiários mundiais detratam Cuiabá nesta semana santa por causa da venda de ruas, da Infraero, do estádio demolido, de um tal de estádio que nem começou e que já foi condenado pelo apelido eterno de puxadinho da vergonha sem cantos e do asfalto criminoso de Chapada... E, tem mais, muito mais. Mas, qual foi a poderosa arma que a excelente jornalista da TVCA usou para destruir o poderoso asfalto novo de Chapada? Foi a mais temível arma que portadores de calos na inteligência, ditadores e cérebros tetraplégicos detestam ouvir e muito pior enxergarem, com receio de explodirem, virarem fumaça, desaparecerem no infinito desses crimes que Cuiabá tanto convive: Uma caneta esferográfica! Essa que representa a barreira contra as safadezas modernas. Arma antiga eficiente até hoje e que traduz as ondas digitais do cérebro que apenas os bons são dotados e alicerça o templo do futuro. A jornalista, nem precisou de tradução pela arma da caneta. A profissional da TVCA, com a caneta em punho, repito, simplesmente a enterrou no asfalto da mentira e a verdade surgiu mais uma vez: pintaram de preto novamente a terra fofa e molhada da rodovia das tristezas desta vida no Vale do Cuiabá, sabotado por trás, pela frente, dos lados, por cima e por baixo. * PAULO ZAVIASKY é jornalista
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