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ARTIGO
Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011, 19h:06

ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA

Aquecimento imobiliário em Cuiabá

“Tá té doce” as perspectivas de investimentos estruturantes e produtivos na Grande Cuiabá em vista da Copa de 2014. Se efetivadas as obras pensadas e projetadas, a meu ver, principalmente, as de desafogamento de pontos críticos no trânsito, nossos pósteros agradecerão em muito e terão uma vida menos agitada e economicamente mais sustentável. Nesse boom de investimentos o setor imobiliário não tem ficado para trás, bastando, para tanto, observar a quantidade e variedade de edificações residenciais, comercias e industriais concluídas e em construção. No entanto, a preocupação de muitas pessoas tem sido se isso será benéfico ou trará conseqüências para Cuiabá, em se tratando do setor imobiliário? Pelo que tenho ouvido e também pelo que tenho indagado sobre o assunto, acredito que a preocupação maior reside no quesito especulação imobiliária, de resto, os benefícios serão bem-vindos. Mas o que é especulação imobiliária? Especulação, em sentido lato, é quando você compra barato para vender caro. Nesse sentido, caberia indagar, também, se o comerciante, então, é um especulador nato? Quero acreditar que não, todavia, a partir do momento que ele segura seus estoques por um período de tempo, intencionalmente atípico, visando preços maiores no futuro, isso, já caracteriza uma especulação. Vamos descendo mais um pouco na análise, pois, o “buraco é um pouco mais embaixo”. Peguemos o exemplo do setor imobiliário, e caso, alguém compre ou até já comprou um imóvel na planta e pretende vendê-lo ou alugá-lo pouco antes da Copa de 14, isso é especulação? Penso que nem seria preciso responder que isso não caracteriza especulação; por outro lado, se alguém está colocando seu imóvel à venda ou pretendendo alugá-lo, e, pelo motivo de que Cuiabá será subsede dos jogos mundiais mandar esses preços para as grimpas, aí, sim, isso poderá ser especulação, porém, não significa que esse fato será concretizado como tal, devido ao tempo que ainda se tem para o evento efetivar-se. Isso tem sido fato real no cotidiano imobiliário em Cuiabá, pois, os preços do metro quadrado residencial e de apartamento, conforme a localidade, estão sendo majorados consideravelmente, mas isso, não é especulação, é expectativa especulativa, que diferencia da especulação em si. O importante nisso tudo é observar o comportamento do CUB-Sinduscon-Mt, que desde o anúncio de Cuiabá como subsede para Copa de 14 teve o seguinte comportamento, vejamos: de maio de 2009(data do anúncio) à maio de 2011 o referido índice teve uma variação positiva média (simples) de 11,8% entre os padrões básico, médio e alto para residências unifamiliares, algo não muito distante da inflação oficial aferida pelo IBGE no mesmo período, em torno de 14,7%. Portanto, não há muito a temer sobre a especulação imobiliária, desde que as construtoras e imobiliárias tenham ambiente e espaço para novos investimentos no setor, mas acompanhando de perto, o preços dos aluguéis, dos imóveis, da taxa de juros e das taxas de depreciação respectivas. Como arremate, gostaria de ponderar que uma obra estruturante relevante para Grande Cuiabá, seria a remoção e reacomodação de fios de luz e outros para o subsolo, objetivando com isso mais espaço para arborização e fortalecer o micro-clima da nossa cidade, algo que minha engenheira sanitarista e ambiental buzina dia inteiro nos meus ouvidos, o que me deixa num conflito psicológico entre ir para Vereda, Aricá, Guarita ou Chapada tomar banho de rio ou de cachoeira. Oxalá, estas obras se concretizem e Cuiabá ficará ainda mais pirpitola para se morar e viver. *ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA é economista em Mato Grosso e associado da Aprocecon-Associação dos Economistas Projetistas e Consultores do Brasil(www.paradigma.ecn.br)

Edição EDIÇÃO 16963




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