Na coluna de hoje vou deixar de lado todas as agruras ligadas ao jornalismo para falar sobre qualidade de vida. A minha leitura sobre o tema dispensa exercícios físicos, boa alimentação e cuidados com o sono. Caro leitor, sou o maior defensor de todas essas práticas porque são comprovadamente importantes para a manutenção, sobretudo, de uma vida saudável. Mas quero ir além. Percebo que a modernidade e suas complexidades que me enchem a mente de embaraços têm associado a qualidade de vida ao acesso a vários equipamentos revestidos de um discurso solucionista. A um clique, tudo está pronto. Este é o lema! Acredito que várias dessas "bugigangas", não teria espaço para citar todas elas, de mil e uma funções retiraram o homem da cozinha, do momento do preparo dos alimentos, da sala de jantar e dos afetos compartilhados uns para com os outros. Não saber manusear um computador, um IPAD ou I-Phone é um sinal de atraso. O próprio mundo já caminha nesse rumo há décadas. O homem está forçado a ser múltiplo. Isso inclui anexar ao mesmo tempo diversas atividades exigidas pelo modelo capitalista para obtenção de um "curriculum vitae" em que a qualidade de vida muitas vezes é desconsiderada. Na linha tênue entre o tempo e o espaço, surgiram os sites de relacionamento, as salas de bate-papo e os e-mails, formas de comunicação, que dispensam o calor de um abraço, as palavras ditas pelos olhos e a humanização dos encontros. Não dá para falar em qualidade de vida quando a mesma é associada apenas a alimentos e práticas esportivas. É preciso romper. Os computadores, por exemplo, chegaram às salas de aula. É notório que o ensino melhorou pela gama de recursos multimídias que facilitaram a compreensão do conteúdo. Existe qualidade técnica na relação aluno-professor. Mas ainda falta algo. Nessa semana, uma professora mordeu o rosto de um aluno do Distrito Federal. No Paraná, uma aluna jogou uma cadeira na direção de um professor. A resposta está na didática de Paulo Freire. Já nas primeiras décadas do século XX, ele dizia que sem amor em uma sala de aula o aprendizado se tornava tarefa impossível. As revoluções tecnológicas aumentaram a expectativa de vida dos seres humanos. Mas ainda falta doses consideráveis de afeto nas relações interpessoais. A alma ainda precisa passar por uma grande revolução. Ou então que vivamos debaixo das previsões sentenciadoras de George Orwell. Bem que ele tentou nos avisar. *DHIEGO MAIA é repórter