ARTIGO
Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 18h:56
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LORENZO FALCÃO
A vocação de Chapada
Quando mais me faz falta um automóvel é aos finais de semana. Nesses dias, quase sempre, me vem aquela vontade de passear. Dar uma folga pro ar condicionado aqui de casa. E subir a serra, a serrinha, na direção de Chapada dos Guimarães. Um programaço. Por mais que me esforce, não consigo me lembrar de um único dia em que tenha me arrependido de fazer essa simples e rápida viagem. Então, aproveitando a visita da filha querida, que mora no Rio de Janeiro há vários anos, almoçamos rapidamente no sábado e lá fomos nós pra rodoviária, de onde seguiríamos viagem rumo a Chapada. Tenho vários amigos que, sabiamente, se mudaram para a pacata cidade. Só a viagem, apreciando a paisagem do cerrado e as formações rochosas que enriquecem o visual da rodovia, mais a certeza de rever amigos queridos, já me bastam. Pela preguiça confessa que de vez em quando surge nestas linhas e pelo fato de não ter carro, minhas visitas a essa cidadezinha gostosa, que conheço desde os anos 60, não tem se repetido muito nos últimos anos. Eu diria que uma vez a cada dois meses visito o município. Mas é uma periodicidade suficiente para reparar que Chapada parece estar descobrindo sua vocação, que é receber turistas não em quantidade, mas em qualidade. A visitação, pelo menos nas vezes em que tenho ido, é fruto de pessoas educadas que sabem curtir a cidade e não ameaçam a harmonia local. Lembro-me dos anos 90, quando aconteciam aqueles festivais e a cidade era invadida por uma horda infernal, com direito a uma barulheira horrorosa, brigas, confusões etc. Certa vez, fui fazer a cobertura de um festival naqueles idos tempos, e entrei no banheiro de um bar, onde havia merda até no teto. Mas a Chapada que visitei no último final de semana é outra. A que eu desejo e imagino que também é a que meus leitores também almejam. Uma cidade tranquila que parece ter encontrado o seu caminho. Tomara que se mantenha assim por longos e longos anos. Claro que a cidade ainda deve ter seus problemas, que precisam ser corrigidos. Mas arrisco dizer, novamente, que o lugar agradável parece estar encaminhado para o bem. E encerro minhas palavras nesta terça-feira elogiando o projeto das "Bordadeiras da Chapada", já noticiado em nosso DC Ilustrado, que abre espaço para a inserção social através da cultura, e continua a pleno vapor. LORENZO FALCÃO é editor do caderno Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras. tyrannusmelancholicus.blogspot.com