Desde que o termo inclusão de pessoas com Necessidades Educativas Especiais, tornou-se tão presente em nossa prática enquanto educadores há uma extensa bibliografia referente ao assunto, mas em nenhum deles, encontremos todas as respostas. É preciso que se procure primeiro, entender que inclusão não é apenas acesso à educação. Mas um processo onde um indivíduo com necessidades educacionais especiais s que culturalmente não faria parte deste meio encontre condições reais de desenvolvimento. Um dos grandes erros da nossa educação está na supervalorização das habilidades linguísticas e lógicas-matemáticas e consequentemente uma falta de conhecimento das diferentes áreas de altas habilidades. Se um indivíduo não consegue aprender matemática, é taxado de incapaz, mesmo sendo ótimo aprendiz em outra área. Uma escola que se preocupe realmente em incluir deve primar pelo desenvolvimento global do indivíduo com dificuldades na aprendizagem, desenvolvendo um trabalho que estimule a solidariedade e o espírito de equipe. Incluir de maneira efetiva significa proporcionar estratégias que contemplem todos os envolvidos no processo, alunos ditos normais e com NEE, a fim de que todos tenham espaço para o desenvolvimento de suas habilidades, dentro de suas limitações. Desde a proclamação da Declaração da Salamanca (1994), que constituiu uma mudança nos paradigmas da Escola Integrativa para Escola Inclusiva, vem se tentando uma lenta caminhada, com muitos obstáculos, entre eles: o preconceito, a falta de recursos, a falta de preparação docente, falta de adequação dos currículos, erros conceituais, supervalorização da desvantagem. A ideia de que simplesmente é um direito incluir um aluno com NEE, na escola regular, não significa que este estará incluído. Ser matriculado é apenas o primeiro passo, a seguir virão outros que dependerão tanto do indivíduo com NEE, como dos profissionais envolvidos e os colegas. Incluir sem excluir, no processo ensino aprendizagem, significa contemplar a todos, sem excluir de nenhuma forma os elementos do processo. Ter um aluno com NEE, em uma classe com 30 crianças dita normais, não significa que esta está incluída, ela pode estar meramente inserida ou integrada. Que este artigo sirva para que pensemos em um futuro onde a inclusão seja tão natural, quanto é à entrada de todo cidadão em idade escolar, independente de suas limitações, raça, religião e nacionalidade. Vivemos em um país onde se criam leis para tudo. Mas uma lei não tem o poder de acolher uma criança, de nada adiantarão as leis se não houver pessoas que se disponham a acolher as diferenças. Esse enfrentamento com a realidade, com as dificuldades será difícil, desafiadora e diria até, de certa forma, desconfortável. Cabe a nós decidirmos qual posição tomar. Seja de meros expectadores ou de cidadãos conscientes e humanizados a ponto de estender a mão e compreender que ninguém está imune e que o mundo foi feito para todos. * ELISMARI DE FATIMA CUNHA é psicopedagoga
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